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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Hell or High Water, de David Mackenzie


Após a morte da mãe, dois irmãos, Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster) organizam uma série de assaltos a bancos, escolhendo apenas várias sucursais do mesmo banco. Eles têm poucos dias para pagar a hipoteca ou perdem propriedade da família. Tudo corria dentro da normalidade até se cruzarem com o ranger Marcus Hamilton (Jeff Bridges) que traça o perfil e as motivações dos dois assaltantes, antecipando os seus golpes e perseguindo-os por todo o território norte-americano até que um deles cometa um erro.

Brilhantemente escrito por Taylor Sheridan, que também escreveu o argumento de Sicario, de Denis Villeneuve, este não apenas um filme sobre polícias atrás de bandidos, embora esse lado também esteja muito bem retratado, é também um drama social, com uma crítica implícita à forma como as instituições bancárias tratam as pessoas.
A relação entre os dois irmãos é muito bem desenvolvida. Toby, o irmão mais novo e também o mais calmo, quer salvar a propriedade da família para ter algo para deixar aos filhos. Tanner, o mais velho que saiu recentemente da prisão quer fazer as coisas à sua maneira para ajudar o irmão.  A interpretação de Chris Pine e Ben Foster é irrepreensível, com o primeiro a deixar-me pela primeira vez surpreendido com o seu desempenho.
Quem dispensa apresentações é Jeff Bridges, tremendo no papel de Marcus.
Também a realização de Mackenzie é brilhante. Dele só tinha visto Starred Up e já na altura tinha ficado surpreendido. Consegue brilhantes interpretações dos quatro protagonistas e mesmo quando o filme exige momentos de acção, estes são muito bem desenvolvidos.
Destaque ainda para a tremenda banda sonora de Nick Cave e Warren Ellis e para a fotografia de Giles Nuttgens.

Com tons de western moderno, Hell or High Water (que em Portugal surge com o titulo Custe o Que Custar!) é um dos melhores filmes que estrearam em Portugal em 2016. A não perder.

NOTA: 8/10


sábado, 23 de abril de 2016

The Hateful Eight, de Quentin Tarantino




Poucos anos após a Guerra da Secessão, uma diligência avança a toda a velocidade pela infernal paisagem do Wyoming. Lá dentro vão, o caçador de recompensas John Ruth (Kurt Russel) e a fugitiva Daisy Domergue (Jenniffer Jason Leigh). O objectivo é chegarem rapidamente a Red Rock, onde Ruth entregará Domergue às autoridades e assim receber a recompensa. Pelo caminho encontram dois desconhecidos: o major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e Chris Mannix (Walton Goggins) um sulista renegado que afirma ser o novo xerife de Red Rock. Com a chegada de um forte nevão os 4 refugiam-se na estalagem de Minnie, porém não é Minnie que está para os receber mas sim outros 4 rostos desconhecidos. Bob (Demián Bichir) que toma conta da estalagem na ausência de Minnie, Oswaldo Mobray (Tim Roth), o carrasco de Red Rock, o cowboy Joe Gage (Michael Madsen) e o general confederado Sanford Smithers (Bruce Dern). Com o agravar da tempestade eles começam a perceber que não vão sair dali tão cedo e aproveitam para descobrir os segredos de cada um… 

Como qualquer filme de Quentin Tarantino, The Hateful Eight tem cenas de extrema violência, muito sangue a jorrar e diálogos geniais, com a acção a passar-se quase totalmente no mesmo espaço, como já tinha acontecido em Cães Danados, a primeira longa-metragem de Tarantino, com os níveis de tensão entre personagens ainda mais sofisticados. Fiquei fascinado com todas as interpretações, sendo que as mais sobressaem são as de L. Jackson, Walton Goggins e uma Jenniffer Jason Leigh como nunca a tínhamos visto, de longe o seu melhor desempenho no cinema. 

The Hateful Eight foi totalmente filmado em 70 mm, pelicula que confere uma maior riqueza a nível de nitidez e detalhes. A banda sonora ficou a cargo do genial Ennio Morricone (quem não se lembra da BSO de Era Uma Vez na América?), que acabaria por conseguir o único Oscar para o filme. 

The Hateful Eight é Tarantino vintage e é de visualização obrigatória.

NOTA: 9/10

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Meek's Cutoff, de Kelly Reichardt


1845, Oregon. Uma caravana composta por três famílias de pioneiros contrata Stephen Meek, um explorador com ar de Buffalo Bill, para guiá-los através da Cordilheira das Cascatas. Meek, afirmando conhecer um atalho, conduz o grupo ao longo das planícies desérticas por um caminho não assinalado, acabando por se perder num deserto que mais parece a superfície lunar. Os emigrantes terão de enfrentar a fome, sede e a falta de fé que demonstram no instinto de sobrevivência uns dos outros. Quando um indio se cruza no seu caminho, eles sentem-se divididos entre depositar a sua confiança num guia que provou ser pouco fiável e um homem que sempre viram como um inimigo natural. Meek's Cutoff é um filme com realização de Kelly Reichardt ("Old Joy", "Wendy and Lucy") e argumento de Jonathan Raymond, baseado em diários dos pioneiros encontrados no estado do Oregon. Surpreende pela sua beleza e que não deve ser visto por aqueles para quem a lentidão ou falta de acção são uma falha.
Com: Michelle Williams, Bruce Greenwood (irreconhecível como Meek), Will Patton e Paul Dano.


NOTA: 8/10

domingo, 20 de fevereiro de 2011

True Grit, de Joel e Ethan Coen


Os irmãos Coen regressam com uma nova adaptação do romance de Charles Portis, True Grit. É bom recordar que este mesmo livro já havia sido levado ao cinema em 1969, por Henry Hathaway, com John Wayne a desempenhar o papel de Rooster Cogburn, papel pelo qual receberia o seu único Oscar. Mas se o filme de 1969 valia essencialmente pela presença de Wayne, este é muito mais que isso.

Mattie Ross (Hailee Steinfeld) é uma jovem de 14 anos que contrata o execrável US Marshall Rooster Cogburn para ir no encalce de Tom Chaney (Josh Brolin) que havia assassinado o seu pai. Nesta jornada vão ter a ajuda de um Texas Ranger, LaBouef (Matt Damon) que também procura Chaney.

Os Coen disseram logo que este não era um remake mas sim uma nova adaptação da obra de Portis. Esta nova versão é muito mais negra e menos linear que a dos anos 60, o Rooster de Wayne escondia um lado mais humano o que no caso deste Rooster se torna mais duvidoso.
Como em muitos dos "heróis" dos filmes dos Coen também aqui estes procuram ganhar uma elevada quantia de dinheiro (lembram-se de Fargo e No Country for Old Men, por ex.?). Rooster será pago por Mattie e LaBouef pelo estado do Texas pela captura de Chaney.
A qualidade interpretativa é elevada, não só o desempenho de Jeff Bridges, que regressa aos Coen depois de Dude Lebowski, como dos outros actores (Brolin, Damon e Berry Pepper) e principalmente da estreante Hailee Steinfeld que faz com excelência o papel da obstinada Mattie.
Mais uma vez os Coen contam com a magnifica fotografia de Roger Deakins, e é uma das 10 nomeações que o filme tem nos Oscars do próximo dia 27.
Se eu já havia gostado da versão de Hathaway posso dizer que esta é bem melhor com os Coen a colocarem de novo o Western na rota do sucesso e a juntar mais uma excelente obra à sua filmografia.

NOTA: 9/10


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

True Grit, de Henry Hathaway


Agora que está quase aí a versão dos manos Coen resolvi ver a versão antiga de True Grit.
True Grit proporcionou a John Wayne um dos melhores, senão o melhor papel da sua longa carreira (recebeu o Oscar por este papel) e apresentou-nos uma das personagens mais carismáticas dos anos dourados do western, Rooster Cogburn, papel ao qual voltaria 6 anos mais tarde, em 1975.

Rooster é um velho e rezingão marshall, cuja reputação como caçador de criminosos é insuperável. Por isso é contratado pela jovem e obstinada Mattie Ross para caçar o assassino do seu pai. A eles se vai juntar o ranger La Boeuf que também quer caçar Tom Chaney.
Muito bom western, bem filmado por Henry Hathaway que conta ainda com uns muito jovens Robert Duvall e Dennis Hopper.
Após este visionamento ainda fiquei mais em pulgas para a nova adaptação da novela de Charles Portis por parte de Joel e Ethan Coen. E com Jeff Bridges no papel de Rooster...

NOTA: 8/10

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Filmes de Eleição #34 - Once Upon a Time in the West


Mais um filme de Sergio Leone nesta minha lista de eleição. Um grande Western Spaghetti com um dos melhores começos de um filme da história do cinema.Três bandidos esperam pela chegada de um comboio. Enquanto esperam tentam entreter-se com qualquer coisa, nem que seja a prender moscas no cano da pistola. A espera torna-se longa, não há diálogos, apenas o som do ambiente que os rodeia. Ouve-se então o som do comboio que se aproxima, o som aumentando, o comboio chega à estação e dele sai apenas um homem que toca harmónica... Segue-se uma curta conversa entre os quatro e o primeiro tiroteio do filme...

Henry Fonda (um biltre da pior espécie), Charles Bronson (o homem da harmónica), Claudia Cardinale (uma mulher a quem acabaram de assassinar o marido) e Jason Robards brilham em grande estilo e a música de Ennio Morricone encaixa na perfeição.

Uma obra prima.


sexta-feira, 20 de junho de 2008

The Magnificent Seven, de John Struges


Dois dias após ver a obra prima de Akira Kurosawa, não resisti a rever o remake feito nos States por John Struges.
Foi uma adaptação feita ao Western, onde uma aldeia mexicana é tomada de assalto por bandidos, tendo os camponeses de contratar 7 pistoleiros que os ajudem a defender a sua comunidade.
Protagonizado por alguns dos melhores actores da época (Yul Bryner, Steve McQueen, Eli Wallach, Charles Bronson), nesta adaptação dá-se mais ênfase aos vilões, principalmente ao seu líder Calvera , protagonizado pelo grande Eli Wallach.
Não sendo tão bom e tão elaborado como o original, Os 7 Magníficos não deixa de ser um bom western e a banda sonora de Elmer Bernstein já faz parte da nossa memória cinematográfica (pelo menos da minha faz).

NOTA: 8/10

Sugestão: Para não estar a sugerir o Seven Samurai, vou sugerir Once Upon a Time in the West, de Sergio Leone

segunda-feira, 21 de abril de 2008

3:10 to Yuma, de Delmar Daves


Um clássico do western que teve recentemente um remake (muito bom, diga-se de passagem).
O rancheiro Dan Evans tem de levar um perigoso bandido (Ben Wade - Glenn Ford) até Contention City a fim de o meter no combóio das 3:10 para Yuma. Só que o bando de Wade vai tentar resgatar o chefe.

Mais um bom western, saido da época dos bons westerns a história é igual à que vimos em 2007 apenas o final é diferente.

NOTA: 8/10

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O Assassínio de Jesse James pelo cobarde Robert Ford, de Andrew Dominik


Baseado num romance de Ron Hansen, «O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford» relata as vidas particulares do mais notório bandido da América e do seu improvável assassino, oferecendo uma nova perspectiva da lenda e aflorando o que transpirou relativamente aos meses que antecederam o tiroteio.

Excelente realização de Andrew Dominik (que havia sido assistente de realização de Terrence Malick em The New World), excelente fotografia de Roger Deakins e grandes interpretações, principalmente do cada vez melhor Casey Afleck.

Deakins e Afleck estão nomeados aos Oscar nas respectivas categorias.

NOTA: 9/10