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terça-feira, 28 de abril de 2015

Lost River, de Ryan Gosling


Numa cidade que se extingue, Billy, uma mãe solteira, afunda-se pouco a pouco na pobreza e miséria de um mundo sombrio e macabro, enquanto Bones, o seu filho mais velho, descobre uma estrada secreta que conduz a uma cidade submersa. 

Filme de estreia do actor Ryan Gosling, que também cuida do argumento, num filme alucinado, sombrio e triste, que faz lembrar o universo David Lynch.

NOTA: 7/10

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Beasts of the Southern Wild, de Benh Zeitlin


Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) é uma jovem que vive com (ou pelo menos próximo) do pai (Dwight Henry), numa comunidade conhecida como "a banheira", situada do lado de lá das barragens do Louisiana. Apesar da vida miserável, esta está livre das maioria das preocupações do mundo moderno, com os dias a terminarem sempre com celebrações cheias de música e álcool. A vida aos olhos de Hushpuppy, é cheia de momentos serenos e de magia, e mesmo não sabendo onde está a sua mãe, somando à tendência para desaparecer por uns dias que o seu pai tem, ela parece feliz com esta sua estranha infância.
Só que alguns acontecimentos inesperados vão abalar esta "tranquilidade".


Uma das principais virtudes de Beasts of the Southern Wild - além de um desempenho absolutamente espantoso da miúda Quvenzhané Wallis, na altura com 6 anos - é a forma como mistura o real e o fantástico. Toda a nojice que rodeia a vida naquela comunidade juntamente com os animais pré-históricos, que ganham vida após o dilúvio que se abate sobre a região. Tudo acompanhado pela pela magnifica câmara de Zeitlin, que encontra beleza na ligação da luz com os detritos e relaciona os problemas pessoais de Hushpuppy com os acontecimentos de escala apocalíptica que se vão desenrolando à sua volta. Um dos grandes trabalhos de realização do ano.
Destaque final para a boa banda sonora que acompanha o filme.

NOTA: 8/10

sexta-feira, 16 de março de 2012

Hugo, de Martin Scorsese

Martin Scorsese foi o realizador ideal para adaptar o livro de Brian Selznick ao cinema. De facto a personagem de Hugo poderia ser o próprio Scorsese. Paris, 1930. Hugo Cabret, um jovem de 12 anos, órfão, que vai viver com o seu tio após a morte do seu pai. Mas, pouco tempo depois, o parente desaparece sem deixar rasto. O rapaz vê-se então obrigado a viver em segredo no interior das paredes da gare e a cuidar dos vários relógios, tarefa que o tio lhe ensinara. Enquanto sobrevive à custa de esmolas e pequenos roubos, tenta arranjar um autómato que o seu pai lhe deixara, seguro de que depois de terminado o arranjo, o autómato lhe trará uma mensagem. É então que conhece Isabelle, uma menina que, tal como ele, vive em quase reclusão e abandono em casa do seu padrinho, um misantropo e sorumbático dono de uma loja de brinquedos. Estranhamente, Isabelle tem a chave em forma de coração que encaixa na pequena fechadura do autómato. Confuso, ele vai tentar perceber porque esta e outras peças se encaixam na perfeição.


O padrinho de Isabelle não é mais que o pioneiro do cinema Georges Méliès e o filme todo é uma enorme ode à 7ª arte. E como seria de esperar, Scorcese realiza de forma sublime, este mundo dickensiano na Paris dos anos 30. Os detractores do filme dizem que Scorsese finalmente se vendeu. Não concordo nada. Aliás, não via outro realizador a adaptar esta obra a não ser ele.
Uma excelente viagem aos primórdios do cinema.
Com excelentes intepretações de Ben Kingsley, Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Sacha Baron Cohen, Jude Law, Michael Stuhlbarg, Emily Mortimer e Ray Winstone.

 NOTA: 9/10


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Midnight in Paris, de Woody Allen


Desde há algum tempo Woody Allen tem-nos presenteado com um filme por ano. Apesar de esses filmes não estarem todos ao mesmo nível, há sempre algo interessante que me leva a vê-los.
No seu périplo por cidades europeias nos últimos anos, chega-nos este Midnight in Paris filme que abriu o Festival de Cannes tendo recebido rasgados elogios.

Midnight in Paris recorre a elementos já vistos noutros filme de Allen, como a fantasia de The Purple Rose of Cairo e as carta de amor a uma cidade, com Paris a substituir New York desta vez.
Desta vez coube a Owen Wilson fazer de Woody Allen como um argumentista que sonha viver em Paris e escrever o romance da sua vida. Actualmente ele encontra-se de férias na Cidades das Luzes com a sua noiva e os pais desta e uma noite, embriagado pela beleza da cidade e por algum vinho, ele vai ter a um bar onde Cole Porter está sentado ao piano a cantar. Nessa Paris dos anos 20, aquela que ele considera a idade de ouro, ele vai conviver com as mais diversas personagens famosas (Hemingway, Picasso, Scott Fitzgerald, Salvador Dali, Luis Buñuel, entre outros).
Midnight in Paris é um filme maravilhoso e divertido, um dos melhores de Allen dos últimos tempos. Tem sequências hilariantes entre a personagem de Owen Wilson e alguns dos famosos, como por exemplo quando ele dá a ideia do argumento de Anjo Extreminador a Luis Buñuel e este não entende.
Owen Wilson tem um magnifico desempenho como o neurótico argumentista e Woody Allen está mais uma vez em grande estilo, mesmo na recriação da Paris dos anos 20.
Para além de Owen Wilson, o elenco conta ainda com: Kathy Bates, Adrien Brody, Carla Bruni, Marion Cotillard, Rachel McAdams e Michael Sheen.

NOTA: 9/10

sábado, 27 de março de 2010

The Imaginarium of Dr. Parnassus, de Terry Gilliam


Dr. Parnassus (Christopher Plummer) um contador de histórias com o dom de manipular a imaginação dos outros, ficou imortal graças a um pacto que fez com o diabo (Tom Waits). Em troca ele prometeu oferecer a sua filha (Lily Cole) quando esta completasse 16 anos. Agora que ela está prestes a chegar a essa idade, Parnassus e o resto do staff do seu espectáculo de rua (a filha, um anão e um jovem orfão) vão tentar tudo para enganar o mafarrico e assim salvar a sua filha. Para os ajudar contam ainda com o misterioso Tony (Heath Ledger) que eles resgatam de uma morte anunciada.


Quando faleceu em Janeiro de 2008, Heath Ledger encontrava-se em pausa das gravações deste filme e como era de esperar o seu desaparecimento foi um grande choque para todos. Recorrendo à sua fértil imaginação, Terry Gilliam convidou 3 amigos de Heath para completar o filme. Foi assim que surgiram Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel, que interpretam Tony quando este está dentro do imaginarium.

Gilliam disse que este era o filme mais pessoal que já fez e mais uma vez toda a sua imaginação vem ao de cima na forma do Dr. Parnassus. Recordo que era Terry Gilliam que fazia as animações dos Monty Python (quem não se lembra do pé que caia do céu para esmagar tudo o que encontrasse?) e aqui mais uma vez se destaca o sua apurada estética visual.

O elenco brilha a grande altura (os actores/actrizes dos filmes de Gilliam costumam ser nomeados aos principais prémios, incluindo Oscars - Mercedes Ruhel ganhou um Oscar por Fisher King que também deu a nomeação a Robin Williams, Brad Pitt nomeado por 12 Monkeys) com destaque óbvio para o ultimo papel de Heath Ledger, a provar mais uma vez que já era um excelente actor.

NOTA: 8/10


terça-feira, 23 de março de 2010

The Lovely Bones, de Peter Jackson


O oscarizado realizador Peter Jackson (O Senhor dos Anéis) volta ao seu melhor, algo que não acontecia desde a trilogia da Terra Média. Digo isto porque King Kong não me encheu as medidas, talvez tenha de o rever para confirmar que se trata de uma obra menor na carreira do realizado.

Aqui pega no romance homónimo de Alice Sebold e adapta-o com mestria ao mundo do cinema, servindo belas interpretações a actores mais ou menos conceituados.

Saoirse Ronan, que já havia sido brilhante em Expiação, volta a sê-lo como Susie Salmon, uma rapariga de 14 anos que foi assassinada em Dezembro de 1973, no seu regresso a casa após mais um dia de escola. O seu assassino continua a monte e pode estar mais perto do que se poderia supor. Susie encontra-se aprisionado num extraordinário mundo entre a Terra e o Céu, para onde irá assim que ajudar a desvendar o seu assassinato. Será que se vai fazer justiça para Susie possa descansar em paz?

Completam o resto do elenco Mark Whalberg (o Pai), Rachel Weisz (a Mãe), Susan Sarandon (a avó), a jovem neozelandesa Rose McIver (como a irmã de Susie) ou o Soprano Michael Imperioli (como o policia à frente da investigação). Mas o destaque principal vai para a brilhante interpretação de Stanley Tucci, que lhe valeu a nomeação ao Oscar de melhor actor secundário.

A acompanhar está uma muito boa banda sonora, que tem em Song to the Siren na versão dos This Mortal Coil o seu ponto mais alto.

NOTA: 8/10


quinta-feira, 11 de março de 2010

Alice in Wonderland, de Tim Burton


A história deste filme não é aquela a que as nossas avozinhas estavam habituadas a ouvir e que apaixonou várias gerações.
Esta Alice (Mia Wasikowska) tem 19 anos e vive atormentada com o mesmo pesadelo desde os seis com coelhos brancos, gatos que desaparecem, lagartas que fumam. Ela pensa que são sonhos maus e que está a ficar maluca. Um dia após fugir de um pedido insólito de casamento ela vê o coelho do sonho e ao segui-lo cai dentro de um buraco sem fundo que a conduz ao Pais das Maravilhas. Ali, entre poções para crescer e diminuir ela vai ter de ajudar os seus amigos, o Coelho Branco, Tweedledee e Tweedledum, a Ratazana, a Lagarta, o Gato Cheshire, e claro, o Chapeleiro Louco (Johnny Depp) a destronar a perversa Rainha Vermelha (Helena Bonham Cárter) que usurpou o trono à irmã, a Rainha Branca (Anne Hathaway).

Os mundos criados por Tim Burton são por norma geniais e o País das Maravilhas não foge à regra, dando um toque às personagens de Lewis Carrol, personagens essas que estão brilhantemente representadas, com destaque para o Chapeleiro Louco de Johnny Depp e para a Rainha Vermelha de Helena Bonham Carter, com uns toques de loucura que fazem lembrar Bette Davis dos tempos de What Ever Happened to Baby Jane?, com os seus "Off with their heads!"
Por lá também andam Alan Rickman e Stephen Fry como a Lagarta Azul e o Gato Cheshire, Matt Lucas (como os gémeos) e Michael Sheen.(Coelho Branco).

NOTA: 9/10


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Where the Wild Things Are, de Spike Jonze


Zangado com a Mãe, Max sonha com um mundo de criaturas gigantescas. Um dia foge de casa e viaja para uma ilha onde encontra essas criaturas!
Estará ele a sonhar ou como disse Freud "o sonho é a concretização de um desejo"?

Uma magnifica fábula, para toda a família, realizada por Spike Jonze, que mais uma vez dá asas a tua a sua criatividade adaptando um romance de Maurice Sendak.
O cinema volta a dar-nos um grande filme sobre a infância e sobre a amizade, mesmo que essa amizade seja com caricaturas gigantescas (acho que não via um tão bom nesse sentido desde Stand by Me).

Começa bem o ano, também a nível cinematográfico. Mas queremos mais...

NOTA: 9/10