Numa noite do ano de 2003, Mark Zuckerberg, génio da programação, aluno de Harvard acaba de se chatear com a namorada. Vai para o quarto e juntamente com alguns amigos cria uma página na rede da universidade em que se podia votar na rapariga mais gira. Era o primeiro passo para a criação um ano mais tarde do site www.thefacebook.com. Ao fim de pouco tempo já tinha 5.5 milhões a partilhar os momentos mais intimos das suas vidas.
Mark Zuckerberg é o milionário mais jovem do mundo graças à invenção do Facebook, mas para além dos 500 milhões de amigos registados, pelo caminho Mark também ganhou alguns inimigos.
Há pouco mais de um ano soube-se que ia ser feito um filme sobre o Facebook e que o mesmo iria ser realizado por David Fincher. Uns questionaram logo que interesse teria um filme sobre um site. Outros perguntavam o que fazia o realizador de Seven e Clube de Combate no meio disto. A verdade é que Fincher, juntamente com o argumentista Aaron Sorkin (da série The West Wing) controi uma estrutura narrativa forte que vai desde a criação desta rede social até aos processos movidos contra Zuckerberg (Jesse Eisenberg), mostrados com um aspecto Rashomon (grande filme de Akira Kurosawa), ou seja através de três pontos de vista diferentes, o de Mark, o dos gémeos Winklevoss (que acusam Mark de lhes ter roubado a ideia) e o de Eduardo Saverin (financiador do projecto e depois afastado por Mark). Todo o virtuosismo visual de David Fincher está presente no filme e filma como se de um thriller se tratasse, colando-nos ao ecrã durante os 121 min. de duração. Há quem já o considere o Citizen Kane da era da internet.
Ben Affleck estreou-se na realização em 2007 com o excelente Gone Baby Gone e regressa novamente à sua cidade adoptiva, Boston, para continuar a filmar o mundo do crime, depois do rapto de uma criança desta vez os assaltos a bancos, com o próprio realizador a assumir o papel de protagonista.
Passado no bairro de Charlestown, o filme segue Doug MacRay (Bem Affleck) e os seus leais amigos de infância em mais um assalto a um banco. Só que desta vez as coisas não correm como o esperado e eles são obrigados a fazer refém a gerente do banco, Claire (Rebecca Hall) apenas a libertando quando já estão a salvo. Para terem a certeza de que ela não sabe de nada e não os pode denunciar, Doug começa a segui-la e acaba por se envolver com ela. Ao ver que o agente do FBI Adam Frawley (John Hamm) está cada vez mais perto da verdade, James (Jeremy Renner) o membro mais impulsivo do bando e também melhor amigo de Doug não concorda com esta relação e pensa que Doug poderá estragar tudo e terá de por um fim (literalmente) àquela história. Só que Doug já se decidiu a mudar de vida e levar Claire para longe daquela cidade… mas antes será obrigado a fazer um ultimo serviço…
A realização de Affleck é muito boa, com aquela cidade a ser o seu cenário ideal. O elenco é do melhor que se tem visto ultimamente. Além de Affleck e Rebecca Hall conta com Jeremy Renner que confirma tudo o que tinha mostrado em The Hurt Locker. Depois ainda há John Hamm (de Mad Man), Blake Lively (de Gossip Girl), Titus Welliver (de Sons of Anarchy) e os consagrados Pete Postlethwaite e Chris Cooper. O argumento não evita alguns clichés mas prende-nos a atenção do primeiro ao último minuto e fica provado que Bem Affleck é um autor a ter em conta e a seguir com atenção nos próximos projectos. Gone Baby Gone e este The Town certamente que não são grandes filmes por acaso.
Dominic Cobb (Leonardo DiCaprio) é um sonhador profissional. Os militares criaram uma ferramenta de treino que permite que as pessoas partilhem os sonhos. Só que há pessoas como Cobb e o seu grupo de amigos que se serve desta tecnologia para roubar segredos e informações importantes. Mas nem tudo são rosas neste mundo, o sonhador preenche o mundo que o arquitecto criou com os seus segredos e consoante a sua personalidade. Cada um pode moldar o sonho conforme a sua conveniência o que pode por em risco toda a missão (o próprio Cobb tem experiência negativa neste aspecto). Agora Cobb têm uma missão muito mais arriscada, uma das suas vitimas torna-se seu empregador e pede-lhe, não que roube uma informação mas que implante uma ideia na cabeça de alguém. Trabalho impossível para muitos mas não tanto para a equipa de Cobb. Além de que esse trabalho vai permitir a Cobb regressar aos Estados Unidos, país que o persegue após uma missão mal sucedida. As cenas de acção (algumas delas à la Matrix) são um must. A fotografia de Wally Pfister é do melhor que se tem visto. Um elenco com Leonardo Di Caprio, Marion Cotillard, Ellen Page, Tom Berenger, Michael Caine, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, só poderia estar a grande altura. E para ajudar e acompanhar cada frame está uma magnifica banda sonora de Hans Zimmer.
É incrível notar que Chris Nolan tem apenas 39 anos e já um curriculo de fazer inveja, mesmo a alguns dos grandes mestres da 7ª arte. E mais uma vez, como na maior parte dos seus filmes, Nolan brinca com a nossa mente (Following, Memento, The Prestige, são disso exemplo). Desta vez através dos sonhos, através da sua construção (e desconstrução). O que é sonho? O que é realidade? O filme combina na perfeição, thriller, ficção cientifica e drama humano partindo de um assalto (o tal implante) e parte para um desencadear de emoções que nos vão deixar presos à cadeira durante as 2 horas e meia de duração. Se algo mais havia a provar, após uma série de excelentes filmes, Chris Nolan entra aqui para a galeria dos mestres da 7ª arte. Se há realizador que pode brincar com a minha mente, esse é Christopher Nolan. Cá ficarei à espera que ele me implante mais um dos seus labirínticos argumentos...
É sempre com grande entusiasmo que vejo os grandes mestres da 7ª arte recuperarem os thrillers clássicos. Já tinha acontecido este ano com o Shutter Island, de Scorsese e volta a acontecer com este grande filme de Roman Polanski.
Um escritor (Ewan Mcgregor) é contratado para concluir a autobiografia de Adam Lang, (Pierce Brosnan) ex-primeiro ministro britânico, iniciada por um outro escritor que terá morrido "acidentalmente". O projecto é de carácter urgente e obriga a sua ida para uma ilha próxima da Costa Este dos Estados Unidos onde Lang vive, em quase total isolamento, com Ruth (Olivia Williams), a sua mulher, e Amelia (Kim Cattrall), sua assistente e amante. Mas, o que à primeira vista parece a oportunidade de uma vida, revela-se muito mais complexo. Para começar, quando o escritor chega à ilha, um escândalo rebenta sobre o suposto envolvimento do ex-primeiro ministro em crimes de guerra e espionagem para a CIA. À medida que o seu trabalho na escrita vai avançando, ele percebe que algo de sinistro existe em toda aquela história e uma suspeição paira sobre a morte, supostamente acidental, do seu antecessor e sobre as mensagens encriptadas que o manuscrito por ele deixado contém.
Polanski volta aos bons tempos de Chinatown e Frenetico, alturas em que nos trouxe excelentes thrillers, criando novamente aqui uma aura de film-noir que só quem sabe pode fazer. O filme é baseado no livro "The Ghost", de Robert Harris, que desenvolveu o argumento com o próprio Polanski. O elenco está mais que à altura dos acontecimentos, com McGregor, Brosnan, Williams e Catrall e bom plano, bem secundados por Tom Wilkinson, Timothy Hutton, Jim Belushi e... o grande Eli Wallach. Na altura em que o filme saiu nos EU este só foi disponibilizado em poucas salas e por poucas semanas mas com o Urso de Prata para melhor realizador, no festival de Berlim e o burburinho criado à volta do filme, este lá teve uma projecção maior (e mais que merecida).
Dentro do género filmes de guerra/guerra(s) do Iraque, aqui está o melhor filme feito até ao momento. E logo aos olhos de uma mulher, Kathryn Bigelow. Kathryn já foi casada com James Cameron e realizou alguns filmes interessantes, tais como Point Break (com Keanu Reeves e Patrick Swayze), Strange Days (com Ralph Fiennes e Juliette Lewis) e K19-The Widowmaker (um drama baseado em factos reais, passado num submarino russo, com Harrison Ford e Liam Neeson).
Filmado na Jordânia, The Hurt Locker acompanha uma companhia com a maior taxa de baixas de toda a guerra. Eles são especialistas em bombas/minas e armadilhas numa cidade, Bagdad onde o perigo e a morte estão em qualquer lado. Centrado em 3 dos soldados dessa companhia, o filme acompanha-os em alguns episódios baseados em factos reais (o argumentista Mark Boal - In the Valley of Elah - entrevistou vários destes operacionais no campo de batalha). K. Bigelow filma de forma impressionante - a fotografia é genial - todos os momentos de tensão que se vão vivendo ao longo de mais de duas horas de filme, e estes não são poucos. Além disso foca um aspecto importante que é o do vicio pelo perigo que este tipo de acção pode causa nos soldados. Com actores ainda pouco conhecidos (ponham os olhos em Jeremy Renner e Anthony Mackie) e apenas breves aparições de Guy Pearce e Ralph Fiennes. Venham mais filmes assim...
NOTA: 10/10
PS. Como sabem este foi o grande vencedor da ultima cerimónia dos Oscars, para além de ter arrecadado outros prémios importantes.
A história deste filme não é aquela a que as nossas avozinhas estavam habituadas a ouvir e que apaixonou várias gerações. Esta Alice (Mia Wasikowska) tem 19 anos e vive atormentada com o mesmo pesadelo desde os seis com coelhos brancos, gatos que desaparecem, lagartas que fumam. Ela pensa que são sonhos maus e que está a ficar maluca. Um dia após fugir de um pedido insólito de casamento ela vê o coelho do sonho e ao segui-lo cai dentro de um buraco sem fundo que a conduz ao Pais das Maravilhas. Ali, entre poções para crescer e diminuir ela vai ter de ajudar os seus amigos, o Coelho Branco, Tweedledee e Tweedledum, a Ratazana, a Lagarta, o Gato Cheshire, e claro, o Chapeleiro Louco (Johnny Depp) a destronar a perversa Rainha Vermelha (Helena Bonham Cárter) que usurpou o trono à irmã, a Rainha Branca (Anne Hathaway).
Os mundos criados por Tim Burton são por norma geniais e o País das Maravilhas não foge à regra, dando um toque às personagens de Lewis Carrol, personagens essas que estão brilhantemente representadas, com destaque para o Chapeleiro Louco de Johnny Depp e para a Rainha Vermelha de Helena Bonham Carter, com uns toques de loucura que fazem lembrar Bette Davis dos tempos de What Ever Happened to Baby Jane?, com os seus "Off with their heads!" Por lá também andam Alan Rickman e Stephen Fry como a Lagarta Azul e o Gato Cheshire, Matt Lucas (como os gémeos) e Michael Sheen.(Coelho Branco).
O ano é 1954, o US Marshal Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) é um homem atormentado pela experiência vivida na II Guerra Mundial, mais propriamente no campo de concentração de Bachau e pela morte recente da sua esposa. Ele e o seu novo parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo) dirigem-se de ferry para o hospital psiquiátrico, para criminosos com perturbações mentais situado numa ilha perto da costa de Boston, Shutter Island. O objectivo é investigar o desaparecimento de Rachel Solano, uma paciente/prisioneira que afogou os 3 filhos. Ela desapareceu da sua cela deixando apenas um pequeno papel com uma pergunta indecifrável. Os médicos, funcionários e enfermeira(o)s da instituição não parecem muito empenhados em cooperar com a investigação e há algo de particularmente misterioso em Dr. Cawley (Ben Kingsley), o director do hospital. Com um furacão a aproximar-se, rodeados por um ambiente psicótico e pacientes perigosos, ambos percebem que as suas vidas podem estar em risco e que podem não conseguir sair vivos daquela ilha maldita.
A partir do livro "Paciente 67" de Dennis Lehane (Mystic River; Gone Baby Gone), Martin Scorsese transporta-nos para uma das épocas douradas do cinema, com referências evidentes - logo no inicio notamos isso - a grandes clássicos da série B desse época (Leonardo DiCaprio teve de ver Out of the Past, de Jacques Tourneur) e constrói um pesadelo claustrofóbico onde nada é o que parece ser e onde não podemos confiar em ninguém. Mais um grande filme de um dos maiores realizadores vivos, filmado exemplarmente e com detalhes magistrais (a cena da caverna, por ex.) ao longo de toda a sua duração. Se juntarmos a isto uma banda sonora assustadora e um magnifico elenco, temos já em Fevereiro um dos maiores filmes de 2010.
Mais uma fábula dos Coen sobre um homem "que não estava lá". O filme começa com um prólogo passado numa povoação polaca. Um homem chega a casa e diz que encontrou alguém pelo caminho. A mulher fica em estado de choque pois diz que esse alguém já morreu há anos e deve ser o espírito dele. Batem à porta... silêncio. O homem diz que convidou o "possível espirito"para jantar. O homem entra e diz que está vivo e bem de saúde. A mulher continua a achar que ele é um dybbuk (espírito para os judeus) e para o provar espeta-lhe uma faca no peito. O homem sai ensanguentado e a cambalear. Salvação ou maldição? Nunca o saberemos.
Andando para a frente no tempo, vamos até à América dos anos 60 onde Larry Gopnik, um professor de Física da Universidade de Midwestern acaba de ser informado que a sua mulher, Judith o vai deixar. Ela apaixonou-se por um dos seus colegas, Sy Ableman, que, aos seus olhos, é alguém muito mais interessante do que o seu marido. A família de Larry também não ajuda muito: o seu irmão Arthur mora lá em casa e dorme no sofá; o filho Danny é um estudante problemático e rebelde que rouba dinheiro à irmã para comprar charros; e a filha Sarah rouba, frequentemente dinheiro ao pai para fazer uma plástica ao nariz. A juntar a isto um aluno coreano tenta suborná-lo para conseguir uma nota melhor e a partir dai passa a chantageá-lo, o que pode por em causa a sua carreira na Universidade. Larry decide pedir conselhos a três rabinos diferentes que poderão ou não ajudá-lo a enfrentar este e outros problemas que vão surgindo...
Mais um grande filme dos Coen que para não fugir à regra aborda os temas e técnicas muito usados por eles e filmado pela câmara luminosa de Roger Deakins (outro habitué dos Coen). As interpretações são espantosas (Michael Stuhlbarg é estupendo) principalmente se notarmos que são actores desconhecidos - o único que conhecia é Adam Arkin da série Sons of Anarchy.
O realizador do excelente Juno, Jason Reitman regressa com a adaptação de uma obra de Walter Kirn, Up in the Air na qual Ryan Bingham (George Clooney) é um executivo que passa a vida a viajar pelos Estados Unidos para despedir pessoas. A sua casa em Omaha serve apenas para guardar as suas pequenas coisas. Ele é um solteirão convicto, sendo até alérgico ao casamento. Esta vivência estranha levam-no a ter pouco contacto com as irmãs. As coisas que mais aprecia na vida são alguns cartões de fidelidade de companhias aéreas e hotéis por onde vai passando. Tudo vai correndo de vento em popa até à chegada à empresa da jovem Natalie (Anna Kendrick) que vem com ideias inovadoras que passam por despedir as pessoas através de vídeo-conferência, o que arruinará o modo de vida de Ryan, e este tudo fará para que fique tudo na mesma principalmente depois de conhecer Alex (Vera Farmiga) , com quem começa a sincronizar encontros em locais específicos onde se cruzem.
Embora feito a partir da dor e da tragédia que é uma pessoa ficar no desemprego, Reitman filma com a qualidade que já nos habituara nos seus filmes anteriores uma comédia com toques de reportagem social, com grandes interpretações e dois grandes cameos - JK Simmons e Sam Elliott.
Em suma, mais um grande filme que estreia em 2010 e ainda só estamos em Janeiro.
Magnifico filme do realizador austríaco Michael Haneke, situado pouco antes da I Guerra Mundial, numa pequena localidade do norte da Alemanha atormentada por uma série de incidentes violentos que não eram mais do que um presságio de horrores maiores que estavam para vir.
A história é narrada por uma das personagens centrais do filme, o professor (papel que Haneke escreveu para Ulrich Mühe - o agente da Stasi de As Vidas dos Outros - mas o actor faleceu antes de se iniciarem as gravações) que vai relatando os estranhos acontecimentos que se vão sucedendo ao longo de vários anos. Grande parte desta localidade está dependente do Barão que dá emprego a maior parte da população, ao mesmo tempo que são fieis ao pastor da igreja. O primeiro incidente dá-se logo no inicio quando o médico local é atirado do cavalo quando este é feito cair por um arame amarrado a duas árvores, e fica gravemente ferido. Obviamente trata-se de um crime mas ninguém sabe quem é/são o(s) culpado(s). Nas semanas seguintes uma mulher que trabalhava para o Barão aparece morta, uma plantação do barão é vandalizada, o pequeno filho do barão é espancado e deixado à beira da morte, um celeiro do barão é incendiado e uma criança deficiente é agredida e amarrada de cabeça para baixo a uma árvore, ficando quase cega. Quem poderá estar por trás destas punições e porque é que elas acontecem?
Filmado a preto e branco, recorrendo frequentemente a planos estáticos, Michael Haneke mostra-nos o lado negro do comportamento humano. O Laço Branco é uma parábola aos primórdios do fascismo, retrato de uma sociedade disfuncional, construída sobre a desconfiança, a injustiça e o medo, à beira da Primeira Guerra Mundial.
A Palma De Ouro conquistada em Cannes para o filme e realizador foram mais do que merecidas. Ainda esta semana o filme recebeu o Golden Globe para melhor filme estrangeiro.
Gostaria de dizer em primeiro lugar que já não ia a uma ante-estreia desde O Dia da Independencia (numa sessão no Monumental às 2 da manhã) curiosamente realizado por um homem que gosta de filmar o fim do mundo. Desta feita fui por cortesia da Take Magazine. Um muito obrigado a eles.
Excelente adaptação da obra de Cormac McCarthy (Este País não é Para Velhos), The Road mostra-nos um futuro pós-apocalíptico, onde todos os animais e a vida selvagem foram completamente extintos e a própria humanidade está prestes a desaparecer. Chuva constante num mundo cinzento, terramotos e incêndios sucedem-se a toda a hora e os poucos humanos que existem tornaram-se selvagens e o canibalismo é habitual.
No meio deste ambiente um pai (Viggo Mortensen) e um filho (Kodi Smit-McPhee) caminham sozinhos pela América rumo à costa, embora não saibam o que os espera por lá. Eles apenas querem lutar pela sua sobrevivência, com o frio a fome e os "canibais" a atravessarem-se constantemente no seu caminho. Apesar da esperança de encontrarem algo melhor os dois levam com eles uma arma com 2 balas, uma para cada um caso sejam apanhados. A Mãe (Charlize Theron) já tinha desistido há algum tempo, aparecendo apenas nos sonhos do Pai.
McCarthy gosta de colocar nas suas obras a natureza humana a elevados níveis de pressão (Llewelyn Moss de No Country for Old Men encontra uma mala cheia de dinheiro) e mais uma vez isso volta a acontecer, com pai e filho a tentar manter um nivel de racionalidade num mundo cada vez mais selvagem. Hillcoat (realizador do excelente A Proposta) e Aguirresarobe (o director de fotografia) retratam quase na perfeição esta devastação e as interpretações são soberbas(até uma pequena aparição de um quase irreconhecível Robert Duval) com Viggo Mortensen a ser possível candidato ao Oscar.
Zangado com a Mãe, Max sonha com um mundo de criaturas gigantescas. Um dia foge de casa e viaja para uma ilha onde encontra essas criaturas!
Estará ele a sonhar ou como disse Freud "o sonho é a concretização de um desejo"?
Uma magnifica fábula, para toda a família, realizada por Spike Jonze, que mais uma vez dá asas a tua a sua criatividade adaptando um romance de Maurice Sendak. O cinema volta a dar-nos um grande filme sobre a infância e sobre a amizade, mesmo que essa amizade seja com caricaturas gigantescas (acho que não via um tão bom nesse sentido desde Stand by Me).
Começa bem o ano, também a nível cinematográfico. Mas queremos mais...
Desde a infância passada numa série de lares e casas de adopção até à idade adulta, como vigaristas de gabarito internacional, Stephen (Mark Ruffalo) e Bloom (Adrien Brody) têm partilhado tudo. Stephen é o cérebro e engendra brilhantes histórias para os dois, mas continua à procura do golpe perfeito.
Farto de viver uma vida de mentira, Bloom aceita fazer parte de um último e espectacular trabalhinho — seduzir uma excêntrica herdeira (Rachel Weisz) para uma aventura que os levará a uma volta ao mundo. Mas quando a elaborada teia engendrada por Stephen começa a apertar, Bloom começa a pensar se o seu irmão não os terá metido na aventura mais perigosa das suas vidas.
Depois do "alternativo" Brick, Rian Johnson regressa para um projecto mais arrojado e a meu ver não se sai mal. As personagens são brilhantes, desde os dois irmãos, passando pela excêntrica herdeira, mulher prendada que sabe falar várias linguas, toca banjo, harpa, guitarra, sabe karaté e para além de espatifar Lamborghinis como se não houvesse amanhã ainda tem orgasmos enquanto ouve trovoada... até à ajudante japonesa dos manos, Bang Bang que só diz duas ou três coisas durante todo o filme. Um filme que mistura os bons filmes de golpadas (incluindo o mítico filme George Roy Hill) com as ambiências dos filmes de Wes Anderson, com cenários magníficos, boas interpretações... resumindo: está muito bem esgalhado.
Almodovar está de regresso e tal como Tarantino fez em Inglorious Basterds, também ele presta homenagem ao cinema nesta história sobre um homem cego, escritor e argumentista de cinema de pseudónimo Harry Caine. Actualmente ele vive graças ao argumentos que escreve, com a ajuda da sua antiga produtora e do filho desta, Diego, que é seu secretario, escrivão e guia. Um dia aparece-lhe alguém que lhe pede para escrever um argumento, argumento esse que o vai fazer recordar os tempos da sua verdadeira identidade, Mateo Blanco.
Mais um grande filme deste realizador espanhol que volta a filmar com Penelope Cruz, tirando desta o que de melhor ela sabe fazer. Além do mais temos uns cameos de algumas das musas de Almodovar, como por exemplo Rossy de Palma.
Peter Jackson dá com este filme um chuto no cu dos grandes estúdios que se recusaram a investir no projecto pois pelos vistos queriam um realizador mais credenciado do que aquele escolhido pelo realizador do Senhor dos Anéis. Bem se lixaram! O filme não só é muito bom, como melhor que muitos produtos do cinema-pipoca estreados recentemente. Foi em 2006 que o projecto de adaptação do popular videogame Halo. Para isso escolheu o realizador sul-africano Neill Blomkamp, um desconhecido com formação em spots públicitários (é dele o spot em que um Citröen C4 se transforma num robot dançarino). Mas o que chamou a atenção de Jackson foi uma curta realizada por Blomkamp. Alive in Joburg é um falso documentário onde é mostrada a vida dos extraterrestres quando a sua nave chega a Joanesburgo! No fundo o porto de partida deste District 9. O apartheid regressou à África do Sul mas desta vez as vitimas são extraterrestres que estão no local há 20 anos depois da nave em que viajavam ter supostamente avariado sobre Joanesburgo. Eles são isolados do resto da população num gueto, o chamado Distrito 9 e estão sobre a huarda da Multi-National United (MNU), uma empresa de segurança privada, e também a maior fabricante de armas do mundo. Um incidente com um dos comandantes da MNU vai ter proporções, digamos que... inesperadas!
Em primeiro lugar há que dizer que Inglorious Basterds é muito mais que um filme de guerra. É principalmente uma homenagem ao cinema.
No primeiro ano da ocupação de França pelos nazis, Shosanna Dreyfus testemunha a execução da sua família às mãos do Coronel Hans Landa (magnífico Christoph Waltz). Shosanna escapa por pouco, e foge para Paris onde vai adquirir o nome de Emmanuelle Mimieux e dirigir uma sala de cinema.·
Entretanto, noutro ponto da Europa, o Tenente Aldo Raine organiza um grupo de soldados judeus americanos, com o simples objectivo de liquidar nazis. Conhecidos pelos seus inimigos como "os sacanas", o bando de Raine une-se à actriz e agente infiltrada alemã Bridget von Hammersmark numa missão para destruir os lideres do Terceiro Reich. Todas estas personagens se vão juntar num cinema e talvez aí decidir o futuro da humanidade, colocando um ponto final na guerra.
Com já disse, esta é acima de tudo uma homenagem ao cinema. De facto o filme está repleto de referências cinematográficas: temos um actor de cinema que é soldado (e herói nacional), temos uma actriz de cinema que é espia, temos um crítico de cinema que é espião, temos a dona de uma sala de cinema e temos o próprio cinema que se vai transformar num improvável campo de batalha. Além de varias outras “escondidas” em todo o filme.
A juntar a tudo isto estão os já famosos diálogos “à la Tarantino”, resultantes de mais um excelente argumento de Tarantino.
Nota máxima para todo o elenco, encabeçado por Brad Pitt no papel de Aldo Raine e com a presença além de outros de Eli Roth que surge também como realizador convidado, tendo dirigido o hilariante filme de propaganda nazi, “O Orgulho da Nação”. Mas para mim a melhor personagem é a do Cor. Hans Landa numa magnífica interpretação do desconhecido actor austríaco Christoph Waltz. De se tirar o chapéu e já a piscar o olho a uma possível nomeação ao Óscar de melhor secundário.
Ah. E como é normal no Tarantino não faltam os tiros, o sangue, as facadas, as bastonadas e os escalpes a serem tirados fazerem parte da colecção de Aldo Raine.
Public Enemies não é uma biografia de John Dillinger com a história contada desde a sua infancia, apesar de ser a personagem central do filme. John Dillinger era um assaltante de bancos e foi o inimigo público #1 nos Estados Unidos durante os 13 meses em que decorre a acção. Na altura da Grande Depressão que assolou os EU, havia uma grande revolta da população para com os bancos que eram os culpados da crise. Dillinger foi visto como um novo Robin Hood, pelos seus assaltos e pelas fugas épicas da prisão. O recém criado FBI, liderado por J. Edgar Hoover decide colocar o seu melhor homem, Melvin Purvis à cata dos Inimigos Públicos. Era a época de grandes criminosos como Pretty Boy Floyd, Baby Face Nelson, Ma Barker, Bonnie & Clyde e claro John Dillinger.
Michael Mann (Manhunter, Heat, Collateral, Miami Vice...) pega aqui no livro de Bryan Burrough "America's Greatest Crime Wave and the Birth of the FBI" e volta a usar a câmara digital (já o tinha feito em Miami Vice e Collateral). Mann é um dos melhores realizadores da actualidade e a sua "obsessão" pelo mais ínfimo pormenor volta a fazer-se notar ele é exímio a filmar cenas de acção. Volta a mostrar-nos um bandido com charme, de quem o público gosta, como tinha acontecido em Heat. Johnny Depp e o seu charme dão um toque especial a Dillinger, num desempenho digno dos seus melhores, Christian Bale traça uma personagem fria com o seu Melvin Purvis e o resto do elenco está muito bem trabalhado. Public Enemies é mais um grande filme de Michael Mann e também um dos melhores do ano até ao momento.
Oskar é um rapaz de 12 anos que vive nos subúrbios de Estocolmo. Filho de país separados ele está a maior parte do dia entregue a si próprio e na escola é constantemente vitima de bullying o que o faz ter fantasias de vingança e coleccionar recortes de jornais com noticias de crimes macabros incluindo um ocurrido recentemente em que um jovem foi sangrado até à morte.
A nova vizinha anda a intriga-lo, apesar das temperaturas negativas e da neve, ela não tem frio e diz-lhe no primeiro encontro que não poderão ser amigos. Apesar disso os encontros entre ambos mantém-se e uma paixão começa a nascer.
Obviamente que Oskar ainda não sabe que Eli é uma vampira e tem de se alimentar de sangue humano para sobreviver. Depois de Twilight, este filme do sueco Thomas Alfredson volta a reinventar o filme de vampiros (agora novamente na moda, também devido à série True Blood) com uma fábula de amor pré-adolescente com toques Bergmanianos à mistura.
Uma agradável surpresa e um belissímo filme que receio passe despercebido à maioria dos espectadores.
Não sendo um trekkie por natureza gostava de ver a série original do StarTrek quando passava na RTP. Via-a com alguma regularidade embora a minha preferida de ficção cientifica fosse o Espaço 1999, que até tenho em DVD. Dos 10 filmes que já se tinham feito baseados nesta mítica série apenas vi um ou dois e mesmo desses não tenho uma recordação muito presente.
Então se não era um fã desmedido da série, o que é que me fez ir ao cinema ver esta nova versão de StarTrek, com actores jovens e imberbes?
JJ Abrams, senhoras e senhores. Apesar de achar que o terceiro capitulo de Missão: Impossível era dispensável, qualquer coisa que este senhor toque deixa-me curioso.
E de facto temos aqui algo de muito bom. Um filme para aqueles que não gostam ou não conhecem a série, mesmo para quem não é fã da ficção científica. Ao mesmo tempo os verdadeiros trekkies de certo que não irão ficar desapontados.
Depois tem aqueles piscar de olho brilhantes, ou não fossem os mesmos argumentistas de Lost e Cloverfield (a bebida fictícia que eles pedem no bar, no inicio do filme, aparece também em Lost e Cloverfield e as legendas que aparecem aquando da mudança de lugar são as mesmas do logótipocameo desse ícone que é Leonard Nimoy (o Spock original), no papel de... Spock. O elenco é bem conseguido, com especial destaque para o novo Mr. Spock, Zachary Quinto (o Sylar da série Heroes) e Eric Bana, maléfico com o seu vilão Nero. Embora não me lembre bem de alguns personagens da série/filmes originais veio-me logo à memória o original Dr. McCoy assim que vi o novo, desempenhado pelo actor Karl Urban.
Um filme obrigatório, cheio de grandes cenas de acção e efeitos especiais do melhor, que me fez vontade de ver (ou rever) alguns dos StarTrek anteriores.