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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Scott Pilgrim vs. the World, de Edgar Wright

Scott Pilgrim é o baixista de uma banda de garagem, chamada Sex Bob-omb. Tem 22 anos e acaba de conhecer a miúda dos seus sonhos - Ramona Flowers. Um único entrave para ganhar o seu coração? Os setes maléficos ex's preparados para matar Scott. De um infame skater a uma estrela de rock vegan... ele terá de vencê-los a todos antes que o jogo (e o filme) acabe ...

Foi preciso muita coragem para adaptar este comic ao cinema, e quem já folheou o livro sabe do que estou a falar. Mas Edgar Wright (Shaun of the Dead; Hot Fuzz) soube fazê-lo muito bem e criou um dos filmes mais loucos dos ultimos tempos mantendo as referências musicais, o estilo video-jogo e outras referências da cultura pop.
O elenco também está muito bem conseguido, com destaque para Michael Cera, Kieran Culkin, Jason Schwartzman, Anna Kendrick e Mary Elizabeth Winstead.

NOTA: 8/10


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Machete, de Robert Rodriguez


Machete apareceu como um falso trailer inserido no delírio cinematográfico que foi Grindhouse e quando se pensava que o próximo filme de Rodriguez que íamos ver seria Sin City 2, eis que ele pega na história desse ex-Federale e a trás para um longa-metragem.

Machete (Danny Trejo) é então um ex-Federale que é contratado para matar um senador. Só que a missão é uma emboscada e quando se pensava que Machete estaria morto ele volta para se vingar de quem o tramou, artilhado com um arsenal de facas e catanas.

Rodriguez recupera o cinema xunga que fazia furor nos anos 70/80 e apresenta-nos um óptimo entretenimento, com um herói improvável, belas (e más) raparigas (Jessica Alba, Michelle Rodriguez, Lindsey Lohan) e secundários a brilhar a grande altura, nos quais se incluem Robert de Niro, Jeff Fahey (que muitos se lembrarão de ver na série Lost), o regressado Don Johnson e... Steven Seagal. Sim, Steven Seagal no seu melhor papel de todo o sempre como o vilão Torrez, mau comás cobras e dono de algumas das melhores falas do filme:

Torrez: You're Machete's girl. I know, cause you're his type. Sartana (Jessica Alba): What type is that? Torrez: Dead.

Tarantino e Rodriguez vieram mostrar que xunga não é sinónimo de mau... ou se calhar é. Mas de tão mau que é torna-se muito bom.

Nota: 8/10


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

The Social Network, de David Fincher


Numa noite do ano de 2003, Mark Zuckerberg, génio da programação, aluno de Harvard acaba de se chatear com a namorada. Vai para o quarto e juntamente com alguns amigos cria uma página na rede da universidade em que se podia votar na rapariga mais gira. Era o primeiro passo para a criação um ano mais tarde do site www.thefacebook.com. Ao fim de pouco tempo já tinha 5.5 milhões a partilhar os momentos mais intimos das suas vidas.
Mark Zuckerberg é o milionário mais jovem do mundo graças à invenção do Facebook, mas para além dos 500 milhões de amigos registados, pelo caminho Mark também ganhou alguns inimigos.

Há pouco mais de um ano soube-se que ia ser feito um filme sobre o Facebook e que o mesmo iria ser realizado por David Fincher.
Uns questionaram logo que interesse teria um filme sobre um site. Outros perguntavam o que fazia o realizador de Seven e Clube de Combate no meio disto.
A verdade é que Fincher, juntamente com o argumentista Aaron Sorkin (da série The West Wing) controi uma estrutura narrativa forte que vai desde a criação desta rede social até aos processos movidos contra Zuckerberg (Jesse Eisenberg), mostrados com um aspecto Rashomon (grande filme de Akira Kurosawa), ou seja através de três pontos de vista diferentes, o de Mark, o dos gémeos Winklevoss (que acusam Mark de lhes ter roubado a ideia) e o de Eduardo Saverin (financiador do projecto e depois afastado por Mark).
Todo o virtuosismo visual de David Fincher está presente no filme e filma como se de um thriller se tratasse, colando-nos ao ecrã durante os 121 min. de duração.
Há quem já o considere o Citizen Kane da era da internet.

No Facebook vou marcar: Eu Gosto

NOTA: 9/10



terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cela 211, de Daniel Monzon


Prestes a tornar-se guarda prisional, Juan Oliver apresenta-se mais cedo ao serviço de forma a deixar boa impressão.
Durante a visita guiada por dois colegas um incidente provoca o desmaio de Juan. Os colegas levam-no para um cela vazia no mesmo momento em que se dá um motim. Com medo, o colegas de Juan fogem e deixa-no fechado na cela 211. Quando acorda Juan percebe que tem de se fazer passar por preso para conseguir sobreviver.

Cela 211 é um excelente thriller espanhol, passado no ambiente claustrofóbico de uma prisão. Daniel Monzón que já havia realizado The Kovak Box tem aqui um direcção sólida e competente e as interpretações são de alta qualidade, principalmente Luis Tosar (Miami Vice) como Malamadre, o líder dos presos.

NOTA: 8/10


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Iron-Man 2, de Jon Favreau



Razões para gostar de Iron-Man 2:

1. É tão bom ou melhor que o primeiro filme.

2. Tem um grande vilão: Ivan Vanko (Mickey Rourke)

3. Tem duas beldades (Scarlett Johanson e Gwyneth Paltrow)

4. Robert Downey Jr. sente-se cada vez mais à vontade na personagem

5. Jon Favreau safa-se bem.


NOTA: 7/10

terça-feira, 19 de outubro de 2010

The Town, de Ben Affleck


Ben Affleck estreou-se na realização em 2007 com o excelente Gone Baby Gone e regressa novamente à sua cidade adoptiva, Boston, para continuar a filmar o mundo do crime, depois do rapto de uma criança desta vez os assaltos a bancos, com o próprio realizador a assumir o papel de protagonista.

Passado no bairro de Charlestown, o filme segue Doug MacRay (Bem Affleck) e os seus leais amigos de infância em mais um assalto a um banco. Só que desta vez as coisas não correm como o esperado e eles são obrigados a fazer refém a gerente do banco, Claire (Rebecca Hall) apenas a libertando quando já estão a salvo. Para terem a certeza de que ela não sabe de nada e não os pode denunciar, Doug começa a segui-la e acaba por se envolver com ela. Ao ver que o agente do FBI Adam Frawley (John Hamm) está cada vez mais perto da verdade, James (Jeremy Renner) o membro mais impulsivo do bando e também melhor amigo de Doug não concorda com esta relação e pensa que Doug poderá estragar tudo e terá de por um fim (literalmente) àquela história. Só que Doug já se decidiu a mudar de vida e levar Claire para longe daquela cidade… mas antes será obrigado a fazer um ultimo serviço…

A realização de Affleck é muito boa, com aquela cidade a ser o seu cenário ideal. O elenco é do melhor que se tem visto ultimamente. Além de Affleck e Rebecca Hall conta com Jeremy Renner que confirma tudo o que tinha mostrado em The Hurt Locker. Depois ainda há John Hamm (de Mad Man), Blake Lively (de Gossip Girl), Titus Welliver (de Sons of Anarchy) e os consagrados Pete Postlethwaite e Chris Cooper.
O argumento não evita alguns clichés mas prende-nos a atenção do primeiro ao último minuto e fica provado que Bem Affleck é um autor a ter em conta e a seguir com atenção nos próximos projectos. Gone Baby Gone e este The Town certamente que não são grandes filmes por acaso.

NOTA: 8,5/10


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Eat Pray Love, de Ryan Murphy


Ryan Murphy, mais conhecido por ser o criador das séries Nip/Tuck e Glee realiza aqui a sua segunda longa metragem, adaptando o livro homónimo de Elizabeth Gilbert sobre uma sua experiência pessoal.

Liz Gilbert (Julia Roberts) tinha a vida que muitas mulheres desejariam ter, bom marido, boa casa, boa carreira. Mas pelos vistos isso parecia não a agradar. Depois de um divórcio litigioso ele começa por namorar um homem mais novo, para descobrir pouco tempo depois que não era isso que queria. Parte então à aventura para três destinos diferentes em busca dos prazeres que que fala o título, Comer em Roma; Orar na Índia; Amar em Bali.

O elenco é muito bom destacando-se dois secundários, Javier Bardem e Richard Jenkins. Já gostava de Jenkins dos filmes dos Coen. Passei a gostar mais depois de ver The Visitor e Six Feet Under. Aqui prova mais uma vez todo o seu talento.
Destaque ainda para uma excelente banda sonora com Neil Young e Eddie Vedder metidos ao barulho.

NOTA: 6/10


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Predators, de Nimrod Antal


Depois das palhaçadas que fizeram com este bicharoco e com o Alien havia que recuperar o franchise daí que se optou por eliminar os filmes feitos a seguir ao original (com Arnold Schwaznegger) e retomar a série a partir daí.
A ideia foi a mesma de Alien que teve o 2º título (de James Cameron) elevado ao plural.
Assim sendo, neste segundo filme da saga Predator um grupo de desconhecidos é atirado para um planeta desconhecido, habitado por estas criaturas que aniquilam tudo à sua volta. À excepção de um todos eram assassinos no planeta de origem, predadores humanos contra os predadores locais.
Ao contrário de Aliens em que todos sabiam ao que iam (apenas não imaginando as consequências) aqui a premissa vai de encontro a Predator com um grupo de homens armados, numa selva a dar de caras com um ser estranho que os quer aniquilar.

Apesar de ser muito melhor actor, Adrien Brody não faz esquecer Arnie e as suas famosas tiradas ("You're one... *ugly* motherfucker!") mas safa-se bem como herói de acção e está bem secundado por actores como Laurence Fishburne, Danny Trejo, Walter Goggins ou a brasileira Alice Braga.

Curiosidade: Robert Rodriguez, que é o produtor quis realizar isto em 1994. Mas o projecto foi considerado pela FOX muito caro na altura.

NOTA: 7/10


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Wall Street - Money Never Sleeps, de Oliver Stone


Em 1987 Oliver Stone dava-nos a conhecer os meandros do mundo financeiro com Wall Street, onde ganância, poder e dinheiro andavam de mãos dadas. O filme apresentava-nos Gordon Gekko (papel que valeria a Michael Douglas o Oscar de melhor actor) e mostrava-no que aquele mundo poderia cair como um castelo de cartas.
Neste novo filme Gekko sai da prisão ao fim de 8 anos e lança um livro que diz que "Greed is Good" (A Ganancia é boa). Mas aquele mundo que ele outrora dominou não está neste momento ao seu alcance e vai-se aliar ao namorado da filha, Jake (Shia LaBoeuf) com o intuito de regressar numa altura de colapso mundial das bolsas.
Stone aproveitou o colapso financeiro de 2008 para fazer regressar Gekko e trouxe um excelente naipe de actores para acompanhar Douglas nesta nova cruzada: Frank Langella, Eli Wallach, Shia Laboeuf, Susan Sarandon e principalmente Josh Brolin no papel de um vilão, também ele ganancioso, no fundo um Gekko elevado a 10.
Destaque ainda para a excelente banda sonora de David Byrne e Brian Eno, com muitas musicas tiradas do seu album de 2008, Everything That Happens Will Happen Today misturadas com outras mais antigas.
Em relação à presença feminina e apesar de Carey Mulligan não se sair mal ficamos com saudades da Darryl Hannah do 1º filme.

Curiosidades:
1- O toque de telemóvel de Jake é o tema de O Bom, o Mau e o Vilão. Eli Wallach, que era o Vilão do filme de Sergio Leone também entra no filme.
2- Bud Fox (personagem principal de Wall Street-1987), aparentemente aprendeu bem com o mestre Gekko como é provado pelo breve cameo de Charlie Sheen no filme.
3 - Numa cena em que Gordon Gekko está a experimentar fatos, numa loja em Londres vê-se por trás dele uma foto autografada de Kirk Douglas.

NOTA: 8/10


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Brothers, de Jim Sheridan


O Capitão Sam Cahill (Tobey Maguire) e o irmão Tommy Cahill (Jake Gyllenhaal) são o complete oposto. O primeiro é um US Marine prestes a embarcar na sua quarta comissão de serviço, um verdadeiro homem de família, casado com a namorada de liceu, Grace (Natalie Portman), com quem tem duas filhas. Tommy, o irmão mais novo, é um jovem à deriva, acabado de sair da prisão, e que rapidamente veste a pele de provocador da família, no jantar de despedida de Sam em casa dos pais, Elsie (Mare Winningham) e Hank Cahill (Sam Shepard), também ele com ligações à vida militar. A ida de Sam para o Afeganistão e o seu desaparecimento em combate, onde chega a ser dado como morto, vai alterar para sempre as vidas destas personagens.


O realizador britânico Jim Sheridan (O Meu Pé Esquerdo, Em Nome do Pai, O Boxeur ou Na América) adapta aqui o filme dinamarquês Brødre, de Susanne Bier (Tudo o Que Perdemos). Ainda não vi o filme original (fiquei com curiosidade) mas pelo que tenho lido Sheridan e o argumentista David Benioff foram fieis ao mesmo. A transformação da personagem de Sam, após o que passou no cenário do conflito é das coisas mais poderosas do filme e dão a Tobey Maguire um dos melhores, senão mesmo o melhor desempenho da sua (ainda curta) carreira. Jake Gyllenhaal, Natalie Portman (que foi nomeada a um Golden Globe por este papel) e Sam Shepard também têm desempenhos à altura.
Uma agradável surpresa.

Nota: 8/10

Trailer

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Drag Me To Hell, de Sam Raimi


Em boa hora Sam Raimi se livrou das teias de aranha e voltou ao género pelo qual ficou conhecido, o terror e o fantástico.
Drag me to Hell é um belo filme de terror onde uma funcionária bancária é obrigada a ordenar o despejo duma senhora idosa da sua casa, por falta de pagamentos ao banco, mas ao fazê-lo fica vítima de uma maldição diabólica que vai virar a sua vida do avesso.
Raimi volta assim ao seu melhor estilo e ao terror clássico, gore, com toques de humor que já não víamos um americano fazer talvez desde os tempo dos Evil Dead (é dele, of course) . Tem uma jovem, aparentemente inocente, tem uma cigana, tem um namorado apaixonado, tem uma maldição, tem um espírito maligno, tem um exorcista, tem uma cena num cemitério, se a isto juntarmos que nada é forçado reparamos que estamos perante um belo filme deste género que é muito difícil de me agradar. Não vou cá em adaptações de filmes de terror japoneses e mesmo esses, nem todos são bons.

NOTA: 8/10


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Salt, de Philip Noyce


Evelyn Salt (Angelina Jolie) é uma das mais bem treinadas agentes da CIA. Quando o desertor russo Vassily Orlov (Daniel Olbrychski) aparece na agência, declarando que ela fez parte de um programa secreto do Governo soviético chamado KA, que treinava crianças para se tornarem assassinas, ela rapidamente compreende que a fuga é a única solução. Assim, servindo-se dos longos anos de experiência como agente infiltrada, consegue escapar aos seus perseguidores. Agora, com os próprios colegas Ted Winter (Liev Schreiber) e Peabody (Chiwetel Ejiofor) no seu encalço, ela irá avaliar todas as pistas e fazer de tudo para provar a sua inocência. Será Salt de facto uma assassina?
Um "thriller" de acção realizado por Phillip Noyce ("O Coleccionador de Ossos", "Calma de Morte", "O Americano Tranquilo").

Este é dos tais filmes que só se devem ir ver se não houver mais nada de jeito na sala ao lado. E quando pensamos que com uma premissa idêntica existem as duas versões de The Manchurian Candidate, mais vale ir buscar os 2 DVDs e rever ambas as versões.

NOTA: 6/10


sexta-feira, 23 de julho de 2010

Inception, de Christopher Nolan


Dominic Cobb (Leonardo DiCaprio) é um sonhador profissional. Os militares criaram uma ferramenta de treino que permite que as pessoas partilhem os sonhos.
Só que há pessoas como Cobb e o seu grupo de amigos que se serve desta tecnologia para roubar segredos e informações importantes. Mas nem tudo são rosas neste mundo, o sonhador preenche o mundo que o arquitecto criou com os seus segredos e consoante a sua personalidade. Cada um pode moldar o sonho conforme a sua conveniência o que pode por em risco toda a missão (o próprio Cobb tem experiência negativa neste aspecto).
Agora Cobb têm uma missão muito mais arriscada, uma das suas vitimas torna-se seu empregador e pede-lhe, não que roube uma informação mas que implante uma ideia na cabeça de alguém. Trabalho impossível para muitos mas não tanto para a equipa de Cobb. Além de que esse trabalho vai permitir a Cobb regressar aos Estados Unidos, país que o persegue após uma missão mal sucedida.
As cenas de acção (algumas delas à la Matrix) são um must. A fotografia de Wally Pfister é do melhor que se tem visto. Um elenco com Leonardo Di Caprio, Marion Cotillard, Ellen Page, Tom Berenger, Michael Caine, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, só poderia estar a grande altura. E para ajudar e acompanhar cada frame está uma magnifica banda sonora de Hans Zimmer.

É incrível notar que Chris Nolan tem apenas 39 anos e já um curriculo de fazer inveja, mesmo a alguns dos grandes mestres da 7ª arte.
E mais uma vez, como na maior parte dos seus filmes, Nolan brinca com a nossa mente (Following, Memento, The Prestige, são disso exemplo). Desta vez através dos sonhos, através da sua construção (e desconstrução). O que é sonho? O que é realidade? O filme combina na perfeição, thriller, ficção cientifica e drama humano partindo de um assalto (o tal implante) e parte para um desencadear de emoções que nos vão deixar presos à cadeira durante as 2 horas e meia de duração.
Se algo mais havia a provar, após uma série de excelentes filmes, Chris Nolan entra aqui para a galeria dos mestres da 7ª arte. Se há realizador que pode brincar com a minha mente, esse é Christopher Nolan. Cá ficarei à espera que ele me implante mais um dos seus labirínticos argumentos...

NOTA: 10/10




quarta-feira, 21 de julho de 2010

The Ghost Writer, de Roman Polanski

É sempre com grande entusiasmo que vejo os grandes mestres da 7ª arte recuperarem os thrillers clássicos. Já tinha acontecido este ano com o Shutter Island, de Scorsese e volta a acontecer com este grande filme de Roman Polanski.
Um escritor (Ewan Mcgregor) é contratado para concluir a autobiografia de Adam Lang, (Pierce Brosnan) ex-primeiro ministro britânico, iniciada por um outro escritor que terá morrido "acidentalmente". O projecto é de carácter urgente e obriga a sua ida para uma ilha próxima da Costa Este dos Estados Unidos onde Lang vive, em quase total isolamento, com Ruth (Olivia Williams), a sua mulher, e Amelia (Kim Cattrall), sua assistente e amante.
Mas, o que à primeira vista parece a oportunidade de uma vida, revela-se muito mais complexo. Para começar, quando o escritor chega à ilha, um escândalo rebenta sobre o suposto envolvimento do ex-primeiro ministro em crimes de guerra e espionagem para a CIA. À medida que o seu trabalho na escrita vai avançando, ele percebe que algo de sinistro existe em toda aquela história e uma suspeição paira sobre a morte, supostamente acidental, do seu antecessor e sobre as mensagens encriptadas que o manuscrito por ele deixado contém.

Polanski volta aos bons tempos de Chinatown e Frenetico, alturas em que nos trouxe excelentes thrillers, criando novamente aqui uma aura de film-noir que só quem sabe pode fazer. O filme é baseado no livro "The Ghost", de Robert Harris, que desenvolveu o argumento com o próprio Polanski. O elenco está mais que à altura dos acontecimentos, com McGregor, Brosnan, Williams e Catrall e bom plano, bem secundados por Tom Wilkinson, Timothy Hutton, Jim Belushi e... o grande Eli Wallach.
Na altura em que o filme saiu nos EU este só foi disponibilizado em poucas salas e por poucas semanas mas com o Urso de Prata para melhor realizador, no festival de Berlim e o burburinho criado à volta do filme, este lá teve uma projecção maior (e mais que merecida).

NOTA: 9/10


terça-feira, 20 de julho de 2010

Brooklyn's Finest, de Antoine Fuqua


Parece que os "filmes mosaico" andam na moda e Antoine Fuqua (Dia de Treino) decidiu aderir à coisa.

Richard Gere, Ethan Hawke e Don Cheadle interpretam três policias de Brooklyn, Nova York, cada um com a sua história. Gere é um veterano que está a uma semana de se reformar, descrente do rumo que a vida de policia leva, mas instigado pela sede de acção dos rookies. Hawke é o policia católico, com esposa doente e filhos por criar, vê-se tentado a apoderar-se do dinheiro das rusgas. E Cheadle é um detective infiltrado num gang que, depois de anos nisso, tem dificuldade em distinguir qual o seu "eu" verdadeiro.

Não sendo tão bom como Dia De Treino, este filme é bem melhor que outros que este realizador fez depois desse seu maior sucesso. E como filme mosaico andam muito melhores por aí.

NOTA: 7/10


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Kick-Ass, de Matthew Vaughn


Muito boa adaptação de um comic de Mark Millar e John Romita Jr. Recorde-se que o realizador, Matthew Vaughn já havia adaptado anteriormente um livro de Neil Gaiman, outro autor com ligações aos comics.

Dave Lizewski (Aaron Johnson) é um jovem fanático por heróis de BD com uma vida aborrecida. Um dia decide fazer algo contra a monotonia e tornar-se, ele próprio, um super-herói. Para isso resolve encomendar uma farda apropriada e atirar-se, de corpo e alma, à tarefa de salvar vidas em perigo. De um momento para o outro, de um adolescente que nunca deu nas vistas passa a celebridade e, do meio do nada, surge por toda a cidade uma espécie de epidemia de super-heróis. Mas nem tudo poderia ser perfeito e, se todas as histórias de super-heróis têm um génio do mal, esta não poderia ser excepção: Frank D'Amico (Mark Strong), um perigoso barão da droga. E é quando Dave conhece Big Daddy (Nicolas Cage) e a sua jovem e destemida filha Hit-Girl (Chloe Moretz) que a aventura verdadeiramente se inicia e eles percebem que somente juntos conseguirão derrotar o grande vilão e a sua trupe de bandidos.

Destaque para a excelente banda-sonora, com nomes como Primal Scream, Prodigy ou Danny Elfman e para um belo elenco, com Nicolas Cage e Mark Strong (mais um grande vilão criado por este actor britânico - Sherlock Holmes, Robin Hood, RocknRolla) à cabeça.
Numa altura em que estreia só lixo, é bom apanhar um filme destes.

NOTA: 9/10


sexta-feira, 4 de junho de 2010

The Wolfman, de Joe Johnson


A infância de Lawrence Talbot (Benicio del Toro) terminou na noite da morte da sua mãe. Após deixar a pequena localidade de Blackmoor, passou décadas a tentar recuperar e esquecer o sucedido. Mas quando a noiva do seu irmão, Gwen Conliffe (Emily Blunt), o procura para a ajudar a encontrar o seu amor desaparecido, Talbot regressa a casa para ajudar nas buscas. Descobre, então, que algo de força bruta e sedento de sangue tem vindo a matar os aldeãos e que um desconfiado inspector da Scotland Yard chamado Aberline (Hugo Weaving) foi chamado para investigar o caso. Quando as peças começam a formar o terrível puzzle, Talbot ouve falar de uma maldição antiga que transforma os desesperados em lobisomens aquando da Lua Cheia. Agora, de modo a parar a chacina e proteger a mulher que ele aprendeu a amar, Talbot tem de matar a maligna criatura que se esconde nos bosques que circundam Blackmoor...

Remake de um dos clássicos de terror da Universal, este lobisomem não acrescenta nada à história, nem ao suspense a não ser uma série de efeitos especiais que eram impossíveis nos anos 40.
Del Toro tem pinta de lobo, Anthony Hopkins anda há vários filmes a fazer o mesmo papel, Emily Blunt é um bocado insossa, salva-se Hugo Weaving, com a sua já característica voz, no papel de um destemido agente da Scotland Yard.
A realização ficou a cargo de Joe Johnson, um dos protegidos de Steven Spielberg (realizou alguns episódios de The Young Indiana Jones Chronicles e o 3º Jurassic Park, para além de estar nos efeitos especiais de Star Wars - The Empire Strikes Back e The Return of the Jedi e Raiders of Lost Ark.

NOTA: 6/10

Trailer

sexta-feira, 21 de maio de 2010

El Secreto de sus Ojos, de Juan José Campanella


1999, Benjamin Esposito, um oficial de justiça recentemente aposentado, começa a escrever um romance policial sobre um caso que o próprio investigou em 1974.
Ao regressar ao passado ele vai questionar a forma como a investigação foi feita na altura e tentar ao mesmo tempo encontrar as respostas que ficaram por resolver de um crime que mexeu com a vida de várias personagens e que, passados tantos anos ainda pode vir a mexer.

Este foi um dos filmes que causou surpresa na ultima cerimónia dos Oscars ao arrecadar a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro, batendo os favoritos O Laço Branco, de M. Haneke e Um Profeta, de Jacques Audiard.
O argumento, do próprio realizador é adaptado da obra de Eduardo Sacheri e tem todos os condimentos que uma obra deste género deve ter: suspense, romance, mistério, humor...
Destaque ainda para a interpretação de um dos principais actores argentinos, Ricardo Darín, no papel de Benjamín.

NOTA: 8/10


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Robin Hood, de Ridley Scott


Ridley Scott e Russel Crowe criaram uma boa dinâmica de trabalho, por isso não é de estranhar que esta seja a quinta colaboração entre ambos (Gladiador, A Good Year, American Gangster e Body of Lies foram as anteriores).
Nesta nova abordagem às aventuras do "bom ladrão", acompanhamos um Robin Longstride antes mesmo de ser Hood.
Inglaterra, século XIII. Robin Longstride (Russell Crowe) toda a sua vida prestou serviço leal ao rei Richard I, de cognome Coração de Leão, mas hoje, após a morte do grande soberano, o país atravessa uma grave crise nas mãos do Príncipe John (Oscar Isaac). Após a morte de Sir Robert Loxley, Robin toma o lugar deste a pedido de seu pai, Walter Loxley (Max Von Sydow) na cidade de Nottingham.
Com a ajuda dos seus amigos, Little John, Friar Tuck e da viúva de sir Robert, Marion Loxley (Cate Blanchet), Robin vai tentar impedir que o vilão Godfrey (Mark Strong) consiga que os franceses conquistem Inglaterra.

Se se disser que este filme é uma prequela às histórias já várias vezes levadas ao cinema não andariamos longe da verdade, pois o filme acaba exactamente com o exílio de Robin na floresta de Nottingham e a criação do mito Robin Hood.
A forma de Ridley Scott mantém-se do principio ao fim, com uma direcção competente e momentos de entretenimento, adrenalina e humor, qb e o filme conta ainda com um elenco muito bom, com Crowe à cabeça mas outros nomes de alto gabarito como Max Von Sydow, Cate Blanchet, Mark Strong, William Hurt, Danny Huston ou Kevin Durand.

NOTA: 8/10