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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

The Deuce


Terminou a 1ª temporada de uma grande série.
Criada por David Simon (The Wire​ e Treme​) e George Pelecanos (produtor de The Wire, Treme e The Pacific​), e com James Franco e Maggie Gyllenhal nos principais papeis.
Passa-se nos anos 70 e mostra a ascensão da indústria pornográfica em New York, passando pela prostitutas e os seus chulos e aqueles que de uma maneira ou de outra faziam negócio ou viveram à volta disso e, inevitavelmente, ao aparecimento dos primeiros casos de SIDA. 
Obrigatório ver.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

T2, de Danny Boyle


Em 1996, Danny Boyle apresentava-nos o seu segundo filme. Depois do sucesso de Pequenos Crimes Entre Amigos, Boyle adapta ao cinema a obra de Irvine Welsh, Trainspotting. A história de quatro viciados em heroína, nas ruas de Edinburgh e mostrava-nos a forma como a droga tinha mais danos colaterais que muitos panfletos anti-droga poderiam mostrar. 
O sucesso foi estrondoso e logo passou a filme de culto e permanece como o melhor de Danny Boyle até ao momento, apesar de já ter ganho Oscars e de já ter feito outros filmes muito apreciados pelos festivais e prémios do mundo do cinema. Além disso deu a conhecer ao mundo actores como Ewan McGregor e Robert Carlisle. 

Renton (Ewan McGregor) regressa a Edimburgo para fazer as pazes com dois dos três amigos que roubou no final do primeiro Trainspotting. Spud (Ewen Bremner) não conseguiu largar o seu vício de heroína e Simon, aka Sick Boy (Jonny Lee Miller), controla um pub em decadência e vive de pequenos golpes para sustentar sua namorada, a búlgara Veronica (Anjela Nedyalkova). Begbie (Robert Carlyle), foge da prisão e quando descobre que Renton está de volta tenta logo perceber onde ele anda para se vingar. 

Com Boyle e os actores de 1996 regressa também o argumentista John Hodge, mantendo o mesmo toque de humor negro e refinado do original, não deixando de lado a ambientação dos protagonistas aos avanços tecnológicos, como os telemóveis ou as redes sociais. Os fãs do primeiro filme e mesmo os que não o viram serão presenteados com flashbacks que fazem ligação com o presente. 
Kelly MacDonald, a Diane do primeiro filme, tem apenas um cameo como advogada que vai safar Renton e Sick Boy duma alhada em que se meteram. Não sendo tão bom quanto o de 1996, T2 agradará aos mais nostálgicos e dá sempre gozo saber onde chegou (e se chegou) aquela malta que conhecemos há 20 anos. Como não podia deixar de ser, destaco a banda sonora, que desta vez traz nomes como The Clash, Blondie, Queen, Wolf Alice, The Prodigy e, claro Lust for Life.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Gold, de Stephen Gaghan

Um prospector de ouro, à procura do seu golpe de sorte, junta-se a um geólogo e penetram na selva da Indonésia à procura daquele metal precioso. 
Desde cedo percebemos que Gold tenta ser The Wolf of Wall Street, mas nem Kenny Wells tem o charme de Jordan Belfort, nem Stephen Gaghan é Martin Scorsese.
Depois de Dalas Buyers Club, Matthew McConaughey volta a transformar-se, desta vez ficando calvo e gordo, num desempenho corajoso não destoando das suas anteriores boas interpretações.
Destaque ainda para a boa banda sonora.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Manchester by the Sea


Um estudo de carácter onde são aprofundadas questões como redenção, compreensão e perdão. Ao contrário do que tenho lido, acho que Casey Affleck vai muito bem na dramatização destes sentimentos, num tipo que quer fugir àquilo que lhe aconteceu e apesar de reconhecer a sua culpa só vacila no momento que tem de vacilar. Talvez o maior problema do filme seja as expectativas altas com que se entra para dentro da sala.

sábado, 26 de novembro de 2016

Elle, de Paul Verhoeven

Michèle (Isabelle Huppert) é uma mulher de meia-idade que dirige uma grande companhia de videojogos e comanda com mão de ferro tanto os seus negócios como a sua vida sentimental. Um dia, é atacada e violada por um homem mascarado, na sua própria casa. Em vez de chamar a polícia ou entrar em desespero, Michele limpa os estragos, toma banho e arquitecta um plano de vingança. Entre ela e o criminoso dá-se então início a um perigoso jogo de perseguição que depressa fica fora de controlo.
Baseado no romance "Oh…", escrito, em 2012, por Philippe Djian, este é um "thriller" psicológico que marca o regresso à realização de Paul Verhoeven ("Instinto Fatal”, “Robocop”, “Total Recall” ou “Livro Negro”).
Perturbadora e inquietante obra de Paul Verhoeven, que aqui regressa ao seu melhor. O filme tem o seu quê de hitchcockiano mas também nos faz lembrar Instinto Fatal (também de Verhoeven) ou Ata-me, de Pedro Almodovar.

Com uma Isabelle Huppert sublime no papel de Michèle Leblanc, Elle é um filme a não perder na obra deste multifacetado cineasta holandês.

NOTA: 8/10

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Room, de Lenny Abrahamson


Um dos textos mais conhecidos de Platão é a Alegoria da Caverna. Nele dois homens viraram sempre acorrentados numa caverna, e passam os dias a olhar para uma parede no fundo da caverna. Nessa parede são projetadas sombras de estátuas representando pessoas, animais, plantas e objetos, mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Um dia um deles consegue fugir e fica fascinado com o mundo real, volta para contar ao companheiro e para o libertar mas este não acredita e prefere ver o mundo como sempre o imaginou. 
Neste filme passa-se algo idêntico. Jack sempre viveu confinado a um quarto com a sua mãe, que foi raptada quando tinha apenas 17 anos e aprisionada na quele pequeno espaço. O mundo para Jack está dentro daquelas 4 paredes, é a cama, o lavatório, a retrete, o frigorífico e o céu que observa através de uma pequena abertura. Quando Jack faz 5 anos a mãe decide que é altura de tentarem a fuga e começa a explicar ao filho que há um mundo imenso por explorar fora daquelas 4 paredes. Jack consegue escapar e a sua fuga também ajuda a que a mãe seja resgatada. 
E a partir deste momento temos a sensação de que entramos num outro filme. Se a primeira parte se centra naquele pequeno espaço e na intimidade e cumplicidade entre mãe e filho, com cenas de alguma tensão num ambiente claustrofóbico, a partir daqui acompanhamos a forma como ambos vão lidar com este novo mundo e esta parte não tem tanta intensidade como a primeira aproximando-se mais do registo lamechas a tentar puxar uma lágrima do espectador. 
Room estava nomeado para 4 Oscars da Academia, acabando por Brie Larson receber a estatueta de Melhor Actriz no papel de Joy, a mãe. Jacob Tremblay, agora com 10 anos, também está excelente como Jack, num filme que conta ainda com interpretações de William H. Macy e Joan Allen como os pais de Joy e Sean Bridgers como o raptor e pai de Jack.

NOTA: 7/10

sábado, 24 de outubro de 2015

Beasts of No Nation, de Cary Joji Fukunaga



Com produção da Netflix, que se lança também no mundo do cinema, e realização e argumento de Cary Joji Fukunaga (Os Sem Nome, Jane Eyre e a primeira temporada de True Detective), Beasts of No Nation é uma história que acontece (já aconteceu e continuará a acontecer enquanto o mundo ignorar) em muitos países do centro de África. Apesar desta história ser fictícia e o país nem ser referido, é bastante óbvia a ligação com as tensões políticas e as guerras civis de vários países do continente africano.
No inicio vemos o jovem Agu (Abraham Attah) e restante família (pai, mãe, irmão e irmã) tentarem adaptar-se à nova realidade de um país em guerra, com a sua aldeia numa zona controlada. Mas tudo muda quando o conflito chega à região onde eles vivem. A mãe e a irmã conseguem fugir para a capital mas os homens da família são confundidos pelos soldados do governo por rebeldes e mandados matar. Apenas Agu consegue escapar embrenhando-se pela floresta adentro até ser capturado por um grupo rebelde que tem um sinistro e alucinado Comandante (Idris Elba). A partir daquele momento Agu fica a fazer parte do auto-proclamado Exercito de Libertação. Este Agu é apenas o rosto de muitos Agus que são tornados homens cedo demais apenas para servir os interesses pessoais daqueles que os comandam.

Fukunaga, que também é o director de fotografia, filma com mestria e mostra todo o horror vivenciado por esta criança. O miúdo Abraham Attah tem aqui uma estreia auspiciosa, não sendo de espantar que apareça nos nomeados para alguns prémios, o mesmo se passando com Idris Elba, cada vez mais a ganhar protagonismo no mundo do cinema. 
Um dos bons filmes que este ano nos mostrou.

NOTA: 8/10

segunda-feira, 23 de março de 2015

Whiplash, de Damien Chazelle


Quase todos os anos, nos nomes para os grandes prémios do cinema, surge um filme que corre por fora do chamado circuito comercial. Este ano o eleito foi Whiplash, que foi muito falado devido à excelente interpretação de JK Simmons, como um professor de uma escola de música, que trata os seus alunos à maneira militar. Andrew (Miles Teller) é um jovem baterista de 18 anos que está obcecado em fazer carreira no mundo do jazz e para isso acontecer entra no no Shaffer Conservatory of Music, uma das mais conceituadas escolas de música do país. É lá que conhece Fletcher, um professor cuja fama de genialidade apenas se compara ao terror que incute aos alunos. A relação entre ambos quase destrói o ultimo pingo de humanidade que restava a Andrew, fazendo-o inclusive deixar de lado a relação com Nicole, uma empregado de um cinema que Andrew costuma frequentar. 

Damien Chazelle filma com mestria, com planos por vezes arrepiantes, que combinam na perfeição com a banda sonora, totalmente composta por música jazz, e no fim deixa-nos um final em aberto dando asas à nossa imaginação. 
Obrigatório.

NOTA: 8,5/10

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

The Judge, David Dobkin


Hank Palmer é um advogado brilhante mas pouco escrupuloso, que faz carreira a defender criminosos. Sem qualquer sentimento de culpa, ele considera que a lei pode ser contornada de forma a incriminar – ou defender – seja quem for. Quando é informado da morte da mãe, segue viagem até à pequena cidade onde cresceu e onde jurou nunca mais regressar. 
Ali reencontra o pai, um juiz da velha guarda que sempre se guiou por uma moral incorruptível e que nunca aceitou a forma leviana com que o filho encarava a culpa ou a inocência. Quando se prepara para regressar a Chicago é informado que o pai bateu com o carro e que há uma vitima mortal. Apesar da relação complicada entre ambos, Hank decide defendê-lo em tribunal. A princípio a relação entre ambos não vai ser fácil mas esta convivência forçada obriga-os a deixar para trás os ressentimentos e a construir algo novo.

David Dobkin vem das comédias para realizar o seu primeiro drama, filme que vale sobretudo pelas boas interpretações de Robert Duval, Robert Downey Jr., Vincent D'Onofrio e Vera Farmiga.

NOTA: 7/10

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A Most Violent Year, de J.C. Chandor


O ano de 1981 foi dos mais violentos da história de Nova York. Fora toda a miséria e incertezas do plano económico para a recuperação do país governado por Ronald Reagan, o corte no orçamento da segurança deixaram os moradores da Big Apple nas mãos dos criminosos. Os índices de assaltos, violações e assassinatos daquele ano colocaram os Estados Unidos em estado de alerta. É neste contexto que o imigrante Abel Morales (Oscar Isaac) tenta fazer crescer seu negócio de combustível de aquecimento doméstico com sua esposa, Anna (Jessica Chastain), responsável por gerir as contas da empresa. Apesar da boa condição financeira do casal, os problemas começam quando um grupo desconhecido começa a roubar os camiões da sua empresa que faziam a distribuição do combustível. Ao mesmo tempo que Abel procura descobrir quem está por trás deste esquema, o promotor público Lawrence (David Oyelowo) acusa Abel de desviar milhares de dólares e fugir aos impostos. 

Neste seu 3º filme (Margin Call e All is Lost) JC Chandor apresenta-nos um homem que quer manter-se recto e seguir a sua linha de honestidade num mundo cada vez mais pantanoso onde a traição pode vir de quem menos se espera.

NOTA: 8/10

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

The Immigrant, de James Gray



No seu mais recente filme, o 5º da sua carreira e o 4º em colaboração com Joaquin Phoenix, James Gray filma a América, na altura em que era a terra de oportunidades para muita gente que vinha desesperada da Europa. É em Nova Iorque de 1921 que nos encontramos com Ewa (Marion Cotillard) uma emigrante polaca que chega a Ellis Island acompanhada da irmã e tenta entrada para a terra dos sonhos. Após a sua irmã ser metida em quarentena por ter chegado doente, Ewa conhece Bruno (Phoenix), um homem sedutor mas ao mesmo tempo manipulador que a ajuda a entrar mas o preço a pagar será demasiado alto. Logo Ewa se torna refém de Bruno que a obriga a prostituir-se para sobreviver. A chegada de Orlando (Jeremy Renner), um ilusionista primo de Bruno vai trazer-lhe esperança num futuro melhor. O que ela não contava era com os ciumes de Bruno.

O ponto alto do filme é a forma como James Gray nos arrebata visualmente, transportando-nos para os ambientes da época numa Nova Iorque a fazer lembrar filmes como The Godfather II, de Coppola ou Once Upon a Time in America, de Sergio Leone. 
Marion Cottilard é o retrato de uma mulher em sofrimento naquela época especifica, Joaquin Phoenix, do qual aprendi a gostar já não desilude e a personagem que interpreta é um homem do qual gostamos e odiamos, um farsante que sabe vir com falinhas mansas e enganar quem ele quer. 

NOTA: 8/10

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Locke, de Steve Knight


Ivan Locke (Tom Hardy) é um homem dedicado à família e um bem sucedido empreiteiro, tendo a seu cargo uma grande construção na zona de Birmingham, onde vive. Tudo lhe corre bem até ao dia que à saída do emprego recebe uma chamada telefónica que vai colocar tudo em causa. Deixando para trás mulher, filhos e o dia mais importante da sua carreira, ele encaminha-se para Londres onde uma colega com quem teve um caso pontual, está prestes a dar à Luz. Ao longo dessa viagem de hora e meia a sua vida vai-se por completo. Ao telefone, enquanto conduz ele salta por entre conversas de apoio a Bethan (a amante), a confissão de infidelidade à mulher, o confronto com os filhos que estavam à sua espera para assistir a um jogo do Birmingham City e ainda dar instruções à distância para a importante obra a que não devia ter faltado. Pelo meio ele vai ter de enfrentar os seus fantasmas e quando chegar ao destino verificará que tudo mudou e que não há ponto de retorno.

Locke é um intenso thriller, escrito e realizado por Steve Knight (argumentista de Promessas Perigosas, de David Cronenberg) que nos fará ficar agarrados à cadeira durante a sua duração. Um homem, um carro e um telefone. Simples mas intenso e uma grande representação de Tom Hardy.

NOTA: 9/10

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Nebraska, de Alexander Payne


Nebraska é uma joia de filme que viu os seus méritos serem reconhecidos devido à excelente prestação dos actores em cena. 
A fotografia a preto e branco realça a decadência e melancolia daquela zona dos Estados Unidos e fortalece a atmosfera entristecida que as personagens querem transmitir. 
Bruce Dern interpreta Woody, um homem de idade com sinais de senilidade, em boa parte devido a uma vida de alcoolismo. A esposa, interpretada por June Squibb é firme e orgulhosa e não deixa nada para dizer. O filho mais velho David (Will Forte) vende produtos electrónicos em Billings, Montana e Ross (Bob Odenkirk) é o outro filho, um jornalista na televisão local. Quando Woody recebe uma publicidade a dizer que tem de ir a uma cidade do estado do Nebraska para levantar 1 Milhão de dólares que acaba de ganhar. Impedido de guiar, Woody decide ir a pé e vendo que o pai não vai desistir da sua jornada, David decide levá-lo, numa viagem que dará para se ficarem a conhecer melhor, eles que sempre tiveram uma relação distante. 
Alexander Payne é perito a contar histórias de homens de certa idade, deslocados e perdidos no mundo, que normalmente partem numa jornada de autodescoberta. Foi assim em Sideways, About Schmidt ou Os Descendentes e volta a fazê-lo aqui, sendo a primeira vez que não tem a seu cargo o argumento, que fica para o estreante Bob Nelson. Um filme muito bom, que está no rol dos melhores que vi ultimamente.

NOTA: 8/10

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Fruitvale Station, de Ryan Coogler

Ryan Coogler conquistou o Festival de Sundance em 2013 com este filme independente que relata as ultimas 24 horas na vida de Oscar Grant III. Amigos, inimigos, família, desconhecidos cruzam-se com ele antes do fatídico acontecimento que levaria à sua morte. Realização competente e interpretações fortes.

NOTA: 7/10

sábado, 7 de junho de 2014

Incendies, de Denis Villeneuve


Quando a mãe de Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon Marwan (Maxim Gaudette) morre, começam as surpresas para este casal de gémeos. No testamento recebem dois envelopes inesperados: um dirigido ao pai que eles julgavam morto, o outro a um irmão de quem nunca tinham ouvido falar. Perante a relutância do irmão em satisfazer a vontade da mão, Jeanne decide imediatamente partir para o Médio Oriente em busca do passado e da história da mãe (Lubna Azabal), uma mulher que sempre fora algo distante e secreta. Mais tarde Simon acaba por se lhe juntar nessa viagem a um país (nunca é referido mas baseia-se no Libano durante a guerra civil) dilacerado por lutas internas.
Este foi o filme que deu a mostrar ao mundo Denis Villeneuve, um dos realizadores mais promissores do momento. Uma viagem ao destino trágico de uma mulher, apanhada nas malhas de um conflito que infelizmente não tem fim, ao som dos Radiohead. Incendies deixa qualquer um atordoado com a dureza dos factos.

O filme esteve nomeado para o Oscar de melhor filme estrangeiro e venceu prémios em vários festivais de cinema.

NOTA: 8/10

segunda-feira, 19 de maio de 2014

All is Lost, J.C. Chandor

Durante uma viagem solitária pelo Oceano um velho marinheiro repara que o barco está a meter água após ter colidido com um contentor à deriva. Com todos os meios de que dispõe a irem falhando a pouco e pouco, resta-lhe apanhar correntes oceânicas que o levem a uma rota maritima mais frequentada. Só que os dias vão passando e os perigos vão aumentando. 
 Quase sem diálogo, apenas a presença de Robert Redford é suficiente para dar alma ao filme, no papel deste marinheiro empurrado até aos limites. Tecnicamente impressionante, All is Lost é ainda uma experiência visualmente deslumbrante, com uma bela fotografia, tanto acima como debaixo de água que capta com competência os momentos mais difíceis da luta do nosso homem (a personagem é mesmo conhecida como "Our Man") contra as adversidades.

NOTA: 8/10

segunda-feira, 28 de abril de 2014

grande ecrã


Out of the Furnace, de Scott Cooper

Russel Baze (C. Bale) que vivia com Zoe Saldana tem um acidente de carro do qual é culpado e vai parar 5 anos à prisão. O seu irmão (Casey Affleck), ex combatente no Iraque anda metido em esquemas com biltres da pior espécie e  quando Russel sai da prisão e está a tentar refazer a vida, recebe a noticia de que o irmão desapareceu misteriosamente. Partir em busca da verdade ou esquecer como todos lhe pedem são os dilemas com que ele se tem de debater.
Filme produzido por Ridley Scott e Leonardo DiCaprio, que eram pra ter sido realizador e protagonista, no inicio do projecto. Este é o 2º filme de Scott Cooper e volta filmar homens à beira do abismo, depois de Crazy Heart, filme que valeu o Oscar a Jeff Bridges, como um cantor country que desiste da sua vida.

NOTA: 6/10



Night Train to Lisbon, de Bille August

Um professor suíço (Jeremy Irons) impede que uma misteriosa mulher salte de uma ponte e leva-a para uma das suas aulas só que ela desaparece deixando para trás um casaco vermelho e um livro com 40 anos, escrito em português. Intrigado ele decide ir a Portugal e embarca numa viagem aos tempos da ditadura e  às vidas daqueles que lutaram pela liberdade. 
O filme adapta a obra de Pascal Mercier

NOTA: 7/10

segunda-feira, 24 de março de 2014

A Tríade de Shanghai, de Zhang Yimou


Zhang Yimou é um dos mais conceituados realizadores chineses, autor da brilhante trilogia de wuxias (Hero, O Segredo dos Punhais Voadores e A Maldição da Flor Dourada) e que ainda na década de 90 realizou obras visualmente perfeitas, como Esposas e Concubinas (Raise the Red Lantern) ou Ju Dou.
Neste sua incursão ao mundo da máfia chinesa, nos anos 30 ele mostra-nos aquele submundo pelo olhar de Shuisheng, um rapaz de 14 anos que é trazido pelo seu tio para trabalhar para o chefe da tríade, Tang que o põe ao serviço da sua concubina, a cantora Bijou (Gong Li).
Bijou, como Shuisheng também veio do campo para Xangai mas depressa conseguiu sucesso fácil, situação que lhe corrompe a inocência e a torna numa pessoa arrogante, até com o seu jovem criado. Shuisheng vai observando, abismado a opulência do seu patrão, a luxuria da amante do patrão e a traição de Song, um dos braço-direito de Tang.
O filme decorre num período de 8 dias, desde a chegada de Shuisheng, passando pelas traições de Bijou, a tentativa do gang rival matar Tang, a fuga para uma ilha nas proximidades de Xangai onde uma série de eventos vai mudar as vidas destas personagens.
Não sendo um dos melhores filmes do mestre chinês, A Tríade de Shanghai é ainda assim muito interessante de ver. E como na maioria dos filmes de Yimou a beleza visual é um dos aspectos presentes.

NOTA: 7/10

quinta-feira, 6 de março de 2014

Dallas Buyers Club, de Jean-Marc Vallée


Estados Unidos, 1985. O vírus do SIDA ainda não era totalmente conhecido, começavam a aparecer os primeiros casos e eram associados à comunidade gay. Ron Woodroof (Matthew McConaughey) é um cowboy que gosta de viver nos limites, sexo com fartura, muitas drogas e alcool até cair. Após um pequeno incidente vai parar ao hospital e sofre a brutal noticia de que é portador de HIV e tem apenas 30 dias de vida. A principio Ron entrega-se à auto-destruição e negação à doença, consumindo muitas drogas e muito álcool. Até que começa o tratamento com AZT, único medicamento autorizado na altura e que quase o conduz à morte. Começa então a estudar a doença e a recorrer a medicamentos alternativos noutras partes do mundo, mesmo que esses medicamentos não sejam permitidos nos Estados Unidos. Funda assim o Dallas Buyers Club com outro portador da doença, Rayon (Jared Leto), um clube de venda desses medicamentos a outras pessoas nas mesmas condições que eles. O sucesso do clube foi tal que despertou as atenções das autoridades e das farmacêuticas que viam o seu monopólio ameaçado.

Dallas Buyers Club não sendo um grande, é um filme de actores que brilham a alto nível. Tanto McConaughey, como Leto têm desempenhos de excelência que lhes valeriam, há poucos dias os Oscars de actor principal e secundário.

NOTA: 7/10

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Ain't Them Bodies Saints, de David Lowry

Texas, anos 70. Bob e Ruth são uma especie de Bonnie & Clyde que quando um assalto corre mal vêm-se cercados pela policia e após um tiroteio em que Ruth (que está grávida) quase mata o xerife local, eles são apanhados e Bob assume todas as culpas e é condenado. Após 4 anos preso, ele foge e atravessa os Estados Unidos com o intuito de ir ter com a mulher que ama e a filha.
Ruth entretanto está a refazer a vida e está muito próxima de Patrick (o policia que ela alvejou no passado).

David Lowry escreve e realiza este filme que na história e no ambiente criado faz lembrar o Badlands de Terrence Malick. E tem mérito na contrução pausada, dando ainda mais suspense à narrativa. Um nome a ter em conta para os próximos tempos.
No elenco encontramos Casey Affleck (Bob), Rooney Mara (Ruth), Ben Foster (Patrick) e Keith Carradine (como o vizinho e protector de Ruth)
NOTA: 8/10