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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Melhores 2016 - Cinema

Filmes que vi em 2016. Eis os que mais gostei:

1. The Hateful Eight, de Quentin Tarantino

2. Hell or High Water, David Mackenzie

3. Elle, Paul Verhoeven

4. Carol, de Todd Haynes

5. The Wailing, Hong-jin Na

6. Sicário, Denis Villeneuve

7. Hail, Caesar, Coen Brothers

8. Deadpool, Tim Miller

9. The Revenant, Alejandro G. Iñárritu

10. Memórias de Marnie, Hiromasa Yonebayashi

11. Bridge of Spies, Steven Spielberg

outros filmes em destaque, que vi ou revi:
Horizontes de Glória, Stanley Kubrik
Gascoigne, Jane Preston
Milho Vermelho, Yimou Zhang
Victória, Sebastian Schipper
Não Matarás, Krzystof Kieslowski
Chaser, Hong-jin Na
In a Valley of Violence, Ti West
Bone Tomahawk, S Craig Zahler

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Hell or High Water, de David Mackenzie


Após a morte da mãe, dois irmãos, Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster) organizam uma série de assaltos a bancos, escolhendo apenas várias sucursais do mesmo banco. Eles têm poucos dias para pagar a hipoteca ou perdem propriedade da família. Tudo corria dentro da normalidade até se cruzarem com o ranger Marcus Hamilton (Jeff Bridges) que traça o perfil e as motivações dos dois assaltantes, antecipando os seus golpes e perseguindo-os por todo o território norte-americano até que um deles cometa um erro.

Brilhantemente escrito por Taylor Sheridan, que também escreveu o argumento de Sicario, de Denis Villeneuve, este não apenas um filme sobre polícias atrás de bandidos, embora esse lado também esteja muito bem retratado, é também um drama social, com uma crítica implícita à forma como as instituições bancárias tratam as pessoas.
A relação entre os dois irmãos é muito bem desenvolvida. Toby, o irmão mais novo e também o mais calmo, quer salvar a propriedade da família para ter algo para deixar aos filhos. Tanner, o mais velho que saiu recentemente da prisão quer fazer as coisas à sua maneira para ajudar o irmão.  A interpretação de Chris Pine e Ben Foster é irrepreensível, com o primeiro a deixar-me pela primeira vez surpreendido com o seu desempenho.
Quem dispensa apresentações é Jeff Bridges, tremendo no papel de Marcus.
Também a realização de Mackenzie é brilhante. Dele só tinha visto Starred Up e já na altura tinha ficado surpreendido. Consegue brilhantes interpretações dos quatro protagonistas e mesmo quando o filme exige momentos de acção, estes são muito bem desenvolvidos.
Destaque ainda para a tremenda banda sonora de Nick Cave e Warren Ellis e para a fotografia de Giles Nuttgens.

Com tons de western moderno, Hell or High Water (que em Portugal surge com o titulo Custe o Que Custar!) é um dos melhores filmes que estrearam em Portugal em 2016. A não perder.

NOTA: 8/10


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

The Wailing, de Hong-jin Na


Uma onda de assassinatos violentos assola uma pacata vila sul-coreana. Esses crimes coincidem com a chegada de um misterioso forasteiro que se instala na vizinhança, o que desperta medo e desconfiança nos locais. Entre os moradores está o policial Jong-Goo (Kwak Do-won), que comanda a investigação e até a sua própria filha se torna alvo da maldição que assola a região. Para combater este poder maléfico ele pede a ajuda de um xamã para encontrar e destruir o culpado das mortes.

Mais um bom exemplo da qualidade do cinema sul-coreano, não só no género de terror (como é aqui o caso) mas também noutros géneros. Hong-jin Na é o realizador de The Chaser, que também vi recentemente.



sábado, 24 de setembro de 2016

Victoria, de Sebastian Schipper


Na história do cinema não é novidade um filme ser rodado em apenas um take. 
Recentemente, Biutiful de Alejandro Iñarritu não foi filmado num só take mas foi editado criando essa ilusão. Sebastian Schipper vai mais longe e filma as 2 horas de Victoria em apenas um take. Claro que isto não é novidade na história do cinema, A Arca Russa, de Aleksandr Sokurov (2002), foi filmado assim. Clássicos como Goodfellas (Scorsese), Shining (Stanley Kubrick) ou The Rope (Hitchcock) têm longos e extraordinários takes e o mesmo já foi experimentado em séries de TV, como é o caso de True Detective, no 4º episódio da 1ª temporada, filmado por Cary Joji Fukunaga. 

E é por isso que este Victoria é um projecto ambicioso, com Sebastian Schipper a pegar num argumento de apenas 12 páginas, co-escrito por ele e outros dois comparsas. 

Victoria (Laia Costa) é uma jovem trabalhadora-estudante espanhola que está a aproveitar as ultimas horas da madrugada a dançar numa discoteca de Berlim, onde vive há algum tempo. Com o amanhecer a aproximar-se ela sai da discoteca para ir descansar um pouco, antes de abrir o café onde trabalha. E é cá fora que ela encontra um grupo de amigos, Sonne (Frederick Lau), Boxer (Franz Rogowski), Blinker (Burak Yigit) e Fuss (Max Mauff). Victoria identifica-se logo com eles, acha-lhes piada e decide passar algum tempo com o grupo a beber, fumar e conversar. Só que uma chamada recebida por Boxer vai alterar o rumo dos acontecimentos. E não é para melhor. 
De inicio somos levados a temer pela segurança de Victoria, a rapariga estrangeira metida no meio de um grupo de alemães com intensões duvidosas. Mas depois começamos a perceber que um deles, Sonne gosta mesmo da rapariga e começamos a ficar um pouco mais confortáveis no filme até ao início das incidências que dão uma reviravolta à madrugada deste grupo que só se queria divertir. Uma agradável surpresa, que descobri por acaso e que até venceu alguns prémios importantes em Festivais de Cinema, incluindo o de Berlim.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Deadpool, de Tim Miller


Depois do fiasco que foi a aparição de Deadpool no filme “X-Men Origens: Wolverine, também um fiasco dos grandes, temia-se o pior para a personagem. Por isso optou-se por não fazer um filme de super-heróis convencional mas antes uma sátira. 
E tudo começa logo pelos brilhantes créditos iniciais a gozar com tudo e com todos, desde protagonistas a direcção técnica, a mostrar logo ao que vinha. 
Antes de ser Deadpool, Wade Wilson (Ryan Raynolds) era um ex-militar das forças especiais do exército que agora faz uns biscates como uma espécie de “mercenário do bem”, encontra a mulher (a brasileira Morena Baccarin) com quem quer passar o resto dos dias, só não sabia é que esses dias iam ser curtos pois é-lhe diagnosticado um cancro. Só que não querendo sucumbir a tamanha fatalidade ele sujeita-se a uns testes que o vão deixar desfigurado, com poderes invencíveis e capacidade de se regenerar. É então que aproveitando essas capacidades ele assume a identidade deste anti-herói. 

Ryan Raynolds que até aqui não tinha feito nada de jeito parece ter nascido para ser Deadpool. Ele até goza consigo próprio e exorciza os fantasmas da sua carreira ao encontrar aquilo para o que nasceu: ser Deadpool. O resto do elenco está igualmente bem, com personagens de carne e osso a fazerem jus às da BD e a estreia na realização de Tim Miller, que é um habitué nos efeitos especiais, é competente. 
Deadpool é um belo entretenimento que acelera desde o primeiro minuto e não tem pejo e dar-nos cenas de extrema violência, com membros decepados ou cenas de nudez completa, tudo carregado com grandes doses de humor. 
 Um dos melhores filmes que vi este ano.

sábado, 23 de abril de 2016

The Hateful Eight, de Quentin Tarantino




Poucos anos após a Guerra da Secessão, uma diligência avança a toda a velocidade pela infernal paisagem do Wyoming. Lá dentro vão, o caçador de recompensas John Ruth (Kurt Russel) e a fugitiva Daisy Domergue (Jenniffer Jason Leigh). O objectivo é chegarem rapidamente a Red Rock, onde Ruth entregará Domergue às autoridades e assim receber a recompensa. Pelo caminho encontram dois desconhecidos: o major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e Chris Mannix (Walton Goggins) um sulista renegado que afirma ser o novo xerife de Red Rock. Com a chegada de um forte nevão os 4 refugiam-se na estalagem de Minnie, porém não é Minnie que está para os receber mas sim outros 4 rostos desconhecidos. Bob (Demián Bichir) que toma conta da estalagem na ausência de Minnie, Oswaldo Mobray (Tim Roth), o carrasco de Red Rock, o cowboy Joe Gage (Michael Madsen) e o general confederado Sanford Smithers (Bruce Dern). Com o agravar da tempestade eles começam a perceber que não vão sair dali tão cedo e aproveitam para descobrir os segredos de cada um… 

Como qualquer filme de Quentin Tarantino, The Hateful Eight tem cenas de extrema violência, muito sangue a jorrar e diálogos geniais, com a acção a passar-se quase totalmente no mesmo espaço, como já tinha acontecido em Cães Danados, a primeira longa-metragem de Tarantino, com os níveis de tensão entre personagens ainda mais sofisticados. Fiquei fascinado com todas as interpretações, sendo que as mais sobressaem são as de L. Jackson, Walton Goggins e uma Jenniffer Jason Leigh como nunca a tínhamos visto, de longe o seu melhor desempenho no cinema. 

The Hateful Eight foi totalmente filmado em 70 mm, pelicula que confere uma maior riqueza a nível de nitidez e detalhes. A banda sonora ficou a cargo do genial Ennio Morricone (quem não se lembra da BSO de Era Uma Vez na América?), que acabaria por conseguir o único Oscar para o filme. 

The Hateful Eight é Tarantino vintage e é de visualização obrigatória.

NOTA: 9/10

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Room, de Lenny Abrahamson


Um dos textos mais conhecidos de Platão é a Alegoria da Caverna. Nele dois homens viraram sempre acorrentados numa caverna, e passam os dias a olhar para uma parede no fundo da caverna. Nessa parede são projetadas sombras de estátuas representando pessoas, animais, plantas e objetos, mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Um dia um deles consegue fugir e fica fascinado com o mundo real, volta para contar ao companheiro e para o libertar mas este não acredita e prefere ver o mundo como sempre o imaginou. 
Neste filme passa-se algo idêntico. Jack sempre viveu confinado a um quarto com a sua mãe, que foi raptada quando tinha apenas 17 anos e aprisionada na quele pequeno espaço. O mundo para Jack está dentro daquelas 4 paredes, é a cama, o lavatório, a retrete, o frigorífico e o céu que observa através de uma pequena abertura. Quando Jack faz 5 anos a mãe decide que é altura de tentarem a fuga e começa a explicar ao filho que há um mundo imenso por explorar fora daquelas 4 paredes. Jack consegue escapar e a sua fuga também ajuda a que a mãe seja resgatada. 
E a partir deste momento temos a sensação de que entramos num outro filme. Se a primeira parte se centra naquele pequeno espaço e na intimidade e cumplicidade entre mãe e filho, com cenas de alguma tensão num ambiente claustrofóbico, a partir daqui acompanhamos a forma como ambos vão lidar com este novo mundo e esta parte não tem tanta intensidade como a primeira aproximando-se mais do registo lamechas a tentar puxar uma lágrima do espectador. 
Room estava nomeado para 4 Oscars da Academia, acabando por Brie Larson receber a estatueta de Melhor Actriz no papel de Joy, a mãe. Jacob Tremblay, agora com 10 anos, também está excelente como Jack, num filme que conta ainda com interpretações de William H. Macy e Joan Allen como os pais de Joy e Sean Bridgers como o raptor e pai de Jack.

NOTA: 7/10

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Gascoigne (2015), de Jane Preston

Nada justifica as más opções que são tomadas na vida, até porque há sempre outros caminhos que podemos tomar, outras opções. 
Mas depois de ver o filme compreendo melhor porque Paul Gascoigne as tomou. Um jogador que tinha tudo para ser dos melhores de sempre e fica na história pela negativa. Um puto que a vida começa a tramar logo aos 10 anos e não parou. 
Aliada a todas as contrariedades que a vida lhe deu está a imprensa sensacionalista inglesa que viu nele um alvo fácil. 
 Um relato impressionante que me fez gostar ainda mais do jogador e do homem.

NOTA: 8,5/10

sábado, 30 de janeiro de 2016

Bridge of Spies (2015), Steven Spielberg


No auge da Guerra Fria, a um advogado moralmente correto, James Donovan (Tom Hanks) é entregue a defesa de um espião russo, recentemente capturado, Rudolf Abel (Mark Rylance). Apesar de toda a gente estar a pressioná-lo para apenas estar presente e deixar a condenação acontecer, Donovan quer que Abel tenha um julgamento justo. E nem as pressões vindas dos seus chefes, da sua esposa ou as ameaças que recebe o vão demover. Mesmo depois do previsível veredicto acontecer ele é usado para negociar uma troca deste preso com outro que os soviéticos têm. 

Spielberg, que mesmo longe da genialidade que lhe conhecemos não consegue fazer um filme mau (pelo menos é assim que eu penso) e aqui pega numa história real, reinventada para cinema pelos irmãos Coen e Mark Charman, embora o argumento tenha pouco a ver com o de um típico filme dos Coen, tirando alguns diálogos entre Donovan e Abel

James Donovan: Aren't you worried? 
Rudolf Abel: Would it help? 

E Spielberg dá-lhe o seu toque pessoal, construindo um filme (a montagem é de Michael Kahn e a fotografia do habitual Janusz Kaminski) onde o suspense que se vivia naquela época passa para o lado de cá da tela. É mesmo o melhor filme de Steven Spielberg desde Munique (2005) e o primeiro filme desde 1985 sem o contributo de John Williams na banda sonora, indo os créditos desta vez para Thomas Newman, outro compositor muito bem visto no mundo do cinema. 

Tom Hanks, em mais uma colaboração com Spielberg, está perfeito como James Donovan, um “herói” à Spielberg, mas a grande surpresa vai para o desconhecido Mark Rylance, actor vindo do teatro britânico, com uma atuação irrepreensível como o espião russo. 
Ponte dos Espiões está nomeado para 6 Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Actor Secundário (Mark Rylance), Melhor Argumento e Melhor Banda Sonora.

NOTA: 8/10