sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Shutter Island, de Martin Scorsese



O ano é 1954, o US Marshal Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) é um homem atormentado pela experiência vivida na II Guerra Mundial, mais propriamente no campo de concentração de Bachau e pela morte recente da sua esposa. Ele e o seu novo parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo) dirigem-se de ferry para o hospital psiquiátrico, para criminosos com perturbações mentais situado numa ilha perto da costa de Boston, Shutter Island. O objectivo é investigar o desaparecimento de Rachel Solano, uma paciente/prisioneira que afogou os 3 filhos. Ela desapareceu da sua cela deixando apenas um pequeno papel com uma pergunta indecifrável.
Os médicos, funcionários e enfermeira(o)s da instituição não parecem muito empenhados em cooperar com a investigação e há algo de particularmente misterioso em Dr. Cawley (Ben Kingsley), o director do hospital. Com um furacão a aproximar-se, rodeados por um ambiente psicótico e pacientes perigosos, ambos percebem que as suas vidas podem estar em risco e que podem não conseguir sair vivos daquela ilha maldita.


A partir do livro "Paciente 67" de Dennis Lehane (Mystic River; Gone Baby Gone), Martin Scorsese transporta-nos para uma das épocas douradas do cinema, com referências evidentes - logo no inicio notamos isso - a grandes clássicos da série B desse época (Leonardo DiCaprio teve de ver Out of the Past, de Jacques Tourneur) e constrói um pesadelo claustrofóbico onde nada é o que parece ser e onde não podemos confiar em ninguém.
Mais um grande filme de um dos maiores realizadores vivos, filmado exemplarmente e com detalhes magistrais (a cena da caverna, por ex.) ao longo de toda a sua duração. Se juntarmos a isto uma banda sonora assustadora e um magnifico elenco, temos já em Fevereiro um dos maiores filmes de 2010.


NOTA: 9/10



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Whatever Works, de Woody Allen


Boris Yelnikoff (Larry David) é um fanfarrão de meia idade, génio da física que sofre de insatisfação crónica e desprezo pelo género humano. Depois de perder a mulher num divórcio, um prémio Nobel e de quase ter perdido a sua própria vida numa tentativa de suicídio mal sucedida, resolve dar largas à sua misantropia e isolar-se numa pequena casa na cidade de Nova Iorque. Um dia encontra à sua porta Melody (Evan Rachel Wood), uma jovem fugitiva do Mississípi, cuja inocência e alegria de viver contagiante contrastam com o cinismo do cientista. Com o passar do tempo a doce rapariga instala-se em sua casa e invade a sua vida, preenchendo todas as lacunas do insatisfeito Boris. As suas vidas parecem perfeitas até ao dia em que os pais dela resolvem aparecer e revolucionar tudo à sua volta...

Este é o regresso de Woody Allen a casa, depois das experiências britânica e espanhola.
E é o Woody Allen de sempre, com o seu humor subtil, espirituoso mas também desencantado com a vida, com o amor, questionando por diversas vezes o sentido da vida e da religião.
Desta vez o alter ego de Allen é Larry David (Seinfeld ou Curb your Enthusiasm) bem secundado pelas excelentes Patricia Clarkson e a jovem Evan Rachel Wood.

NOTA: 8/10


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

BAFTA 2010

O grande vencedor foi The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow com 6 galardões, incluindo melhor filme, realizadora e argumento.

Laputa: Castle in the Sky, de Hayao Miyazaki


Quando um dirigível é atacado por piratas Sheeta, uma jovem adolescente ali detida, aproveita a oportunidade para escapar dos seus raptores. Só que os piratas também estão atrás dela e acaba por se precipitar e cair em direcção ao solo. Cá em baixo, numa pequena aldeia mineira, o jovem Pazu vê uma estanha luz vinda do céu a dirigir-se na sua direcção. Pazu acolhe Sheeta e mais tarde os dois são obrigados a fugir dos piratas que os perseguem e de agentes do governo. Todos estão interessados em Sheeta e na pedra que ela transporta, a chave para descobrir a misteriosa ilha flutuante, Laputa.

Laputa, Castle in the Sky (1986) foi a 2ª longa-metragem de Hayao Miyazaki (a primeira tinha sido Nausicca - 1984) e adapta livremente um dos segmentos de As Viagens de Gulliver, de Johnattan Swift em que o herói passa em Laputa, uma cidade voadora.
Mais uma vez os heróis são crianças, como acontece em (quase) todos os filmes/séries de Miyazaki. Sejam raparigas (Kiki, Chihiro, Nausicaa) ou rapazes (Conan, Ashitaka).
Uma excelente história de aventuras para todas as idades com belas sequências de animação, como só este mestre japonês sabe.

NOTA: 9/10


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A Serious Men, Joel e Ethan Coen


Mais uma fábula dos Coen sobre um homem "que não estava lá".
O filme começa com um prólogo passado numa povoação polaca. Um homem chega a casa e diz que encontrou alguém pelo caminho. A mulher fica em estado de choque pois diz que esse alguém já morreu há anos e deve ser o espírito dele. Batem à porta... silêncio. O homem diz que convidou o "possível espirito"para jantar. O homem entra e diz que está vivo e bem de saúde. A mulher continua a achar que ele é um dybbuk (espírito para os judeus) e para o provar espeta-lhe uma faca no peito. O homem sai ensanguentado e a cambalear. Salvação ou maldição? Nunca o saberemos.

Andando para a frente no tempo, vamos até à América dos anos 60 onde Larry Gopnik, um professor de Física da Universidade de Midwestern acaba de ser informado que a sua mulher, Judith o vai deixar. Ela apaixonou-se por um dos seus colegas, Sy Ableman, que, aos seus olhos, é alguém muito mais interessante do que o seu marido. A família de Larry também não ajuda muito: o seu irmão Arthur mora lá em casa e dorme no sofá; o filho Danny é um estudante problemático e rebelde que rouba dinheiro à irmã para comprar charros; e a filha Sarah rouba, frequentemente dinheiro ao pai para fazer uma plástica ao nariz. A juntar a isto um aluno coreano tenta suborná-lo para conseguir uma nota melhor e a partir dai passa a chantageá-lo, o que pode por em causa a sua carreira na Universidade.
Larry decide pedir conselhos a três rabinos diferentes que poderão ou não ajudá-lo a enfrentar este e outros problemas que vão surgindo...

Mais um grande filme dos Coen que para não fugir à regra aborda os temas e técnicas muito usados por eles e filmado pela câmara luminosa de Roger Deakins (outro habitué dos Coen).
As interpretações são espantosas (Michael Stuhlbarg é estupendo) principalmente se notarmos que são actores desconhecidos - o único que conhecia é Adam Arkin da série Sons of Anarchy.

NOTA: 9/10


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

The Men Who Stare at Goats, de Grant Heslov

Esta é uma historia ligeiramente baseada em factos verdadeiros.

O repórter Bob Wilton (Ewan McGregor) julgava ter tudo o que um homem podia desejar até perceber que, afinal, a mulher, com quem pensava estar bem casado, o trocou pelo editor do jornal onde ambos trabalhavam.
Para provar que consegue ultrapassar a traição, deixa tudo e vai para o cenário de guerra do Iraque, procurar um furo que o torne célebre. E é na fronteira com o Kuwait que conhece Lyn Cassady (George Clooney), um agente de forças especiais New Age que revela estar numa missão secreta em nome da sua Unidade de Super Soldados Jedis liderada por Bill Django (Jeff Bridges).
Inseridos num programa secreto do Governo dos EUA, estes guerreiros pacifistas possuem poderes paranormais que lhes permitem atravessar paredes, encontrar com a mente pessoas desaparecidas ou vencer o inimigo com o poder da mente, sem necessidade de sangue ou violência gratuita. Decidido a atravessar a fronteira com Lyn e encontrar a história que vai mudar a sua vida, Bob vê-se envolvido numa guerra entre os super soldados e Larry Hooper (Kevin Spacey), um antigo discípulo de Bill com contas para ajustar.

O filme adapta e satiriza o livro do jornalista Jon Ronson, com o mesmo título. Uma comédia non-sense bem, ao estilo dos irmãos Coen realizada pelo actor Grant Heslov (aparece nos filmes de Clooney, Good Night and Good Luck e Leatherheads). Destaque ainda para o elenco, principalmente para a personagem de Jeff Bridges, bem ao estilo do seu Lebowski.

NOTA: 8/10


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Two Days in the Valley, de John Herzfeld


Este filme de 1996, de John Herzfeld é uma colagem descarada a Pulp Fiction mas obviamente numa escala menor.
Apesar disso não deixa de ser um filme interessante que gira em torno de eventos passados urante 48 horas nas vidas de um grupo de pessoas unidos por um assassinato.
Um simpático assassino de meia idade (Danny Aiello) é contratado pelo frio Lee Woods (James Spader) para o ajudar a assassinar um homem. Eric Stoltz e Jeff Daniels fazem de 2 policias da brigada de combate ao narcotráfico que vão parar à cena do crime. Um realizador falhado, um coleccionador de arte com pedra nos rins, uma ex-atleta olímpica, a namorado de um dos assassinos e uma enfermeira também tem protagonismo nesta história (mais uma) de vidas cruzadas.
O elenco, para além dos já citados conta ainda com Charlize Theron (a namorada sueca de James Spader) e Teri Hatcher (a mulher do morto).

NOTA: 7/10


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O Monte do Vendavais, de Luis Buñuel


Adaptação livre do romance de Emile Brontë, O Monte dos Vendavais, com o mestre do surrealismo Luis Buñuel a dar a sensibilidade e paixão habituais na sua filmografia, transportando a história para ambientes mexicanos.

Após longos anos de ausência, Alejandro (Jorge Mistral) o ex-criado de uma fazenda do México rural do séc. XIX, regressa agora rico para se vingar de quem o afastou da filha do patrão, Catalina (Irasema Dilián). Ela agora está casada com Eduardo (Ernesto Alonso), um abastado vizinho da família. Alejandro pede a Calalina para que fujam mas ela diz que é tarde demais. Assim ele vira-se para Isabel, irmã de Eduardo pretendendo casar-se com ela mesmo que não nutra mais do que ódio e a veja como forma de se vingar do irmão.

NOTA: 9/10

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Gone Baby Gone, de Ben Affleck


Goste-se ou não do que tem feito em alguns filmes como actor (estou-me a lembrar de Pearl Harbour ou Daredevil) a verdade é que Ben Affleck já fez coisas boas tanto nessas funções como nas de argumentista onde, convém recordar já ganhou um Oscar (Good Will Hunting juntamente com Matt Damon).
Em 2007 surgiu pela primeira vez como realizador e não se safou nada mal, antes pelo contrário.
Já se sabe que a estreia de Gone Baby Gone foi por várias vezes adiada em alguns países europeus (incluindo Portugal) devido a certas semelhanças com o caso "Maddie McCann" (histeria dos pudicos ingleses, direi eu...)!
O irmão mais novo de Ben, Casey Affleck que contracenou com ele em Good Will Hunting e mais recentemente foi nomeado ao Oscar por The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, desempenha o papel de Patrick Kenzie, um detective privado de Boston que, com a sua namorada Angie (Michelle Monaghan) costumam desvendar casos de adultério e de pessoas desaparecidas, mais propriamente aquelas que devem dinheiro a alguém. Mas desta vez o caso é diferente, eles são contratados pelos tios de uma menina de 4 anos que foi vitima de um possível rapto. À cabeça da investigação policial está Jack Doyle (Morgan Freeman) e os seus dois melhores investigadores, Remy Bressant (Ed Harris) and Nick Poole (John Ashton).
Devido ao vicio da mãe da criança, Helene (Amy Ryan - nomeada ao Oscar por este papel) Patrick e Angie descobrem haver uma relação desta com um perigoso traficante local e que isso pode estar ligado com o desaparecimento de Amanda.

Ben e Casey foram criados em Boston dai moverem-se pela cidade com grande à vontade, o que se nota tanto na realização dum como na interpretação do outro e a história é baseada na obra homónima de Denis Lehane, o mesmo de Mystic River e volta a abordar o tema dos abusos na infância.
Um bom filme que revi agora em DVD, com um grande elenco.

NOTA: 8/10


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Arctic Monkeys no Campo Pequeno


Nesta sua terceira passagem pelo nosso país os Arctic Monkeys deram um optimo concerto na noite da passada Quarta-Feira, dia 3 de Fevereiro.
Cada vez melhores, fruto da experiência ganha e de convívio com outros músicos (o produtor do ultimo Humbug é Josh Homme) os britânicos navegaram pelos 3 discos de originais e apresentaram ainda a sua versão de «Red Right Hand», de Nick Cave.
Venham mais concertos destes em 2010! A malta agradece.

Alinhamento:

1. Dance Little Liar
2. Brianstorm
3. This House Is A Circus
4. Still Take You Home
5. Potion Approaching
6. Red Right Hand (Nick Cave cover)
7. My Propeller
8. Crying Lightning
9. Catapult
10. The View From The Afternoon
11. I Bet You Look Good On The Dancefloor
12. Fluorescent Adolescent / Only You Know (Dion cover)
13. If You Were There, Beware
14. Pretty Visitors
15. Do Me A Favour
16. When The Sun Goes Down
17. Secret Door

Encore
18. Cornerstone
19. 505

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sherlock Holmes, de Guy Richie


Este Sherlock Holmes apresenta-se como um belo entretenimento, algo entre aquilo que já nos habituou o cinema de Richie e a sua devoção pela personagem de Conan Doyle.
Aqueles familiarizados com anteriores adaptações vão concerteza estranhar este Holmes, habituados que estão a certos tiques de outros Sherlock Holmes.
A história segue o mais famoso detective de sempre (exemplarmente interpretado por Robert Downey Jr.) a tentar resolver o caso do serial killer Lord Blackwood (Mark Strong), que depois de condenado e enforcado parece ter regressado do mundo dos mortos. Ajudado pelo seu velho companheiro Dr Watson (um não menos exuberante Jude Law), Holmes usa de toda a sua habitual perspicácia para reunir todas as provas que levem à divulgação do mistério por trás dos crimes de Blackwood.

NOTA: 7/10


Os meus Oscars


Ficamos ontem a conhecer as nomeações para a 82ª edição dos Oscars.

De entre os nomeados para as principais categorias, estes eram os meus escolhidos:

Melhor Filme: Inglorious Basterds

Melhor Actor: Jeff Bridges

Melhor Actriz: Carey Mulligan

Actor Secundário: Christoph Waltz

Actriz Secundária: Anna Kendrick

Melhor Realizador: Quentin Tarantino

Melhor Argumento: Inglorious Basterds

Melhor Argumento Adaptado: Up in the Air

Melhor Fotografia: The Hurt Locker

Melhor Filme de Animação: Fantastic Mr. Fox

Melhor Filme em lingua não inglesa: Das weisse Band (Germany)

Aqui podem ver todos os nomeados