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sábado, 24 de outubro de 2015

Beasts of No Nation, de Cary Joji Fukunaga



Com produção da Netflix, que se lança também no mundo do cinema, e realização e argumento de Cary Joji Fukunaga (Os Sem Nome, Jane Eyre e a primeira temporada de True Detective), Beasts of No Nation é uma história que acontece (já aconteceu e continuará a acontecer enquanto o mundo ignorar) em muitos países do centro de África. Apesar desta história ser fictícia e o país nem ser referido, é bastante óbvia a ligação com as tensões políticas e as guerras civis de vários países do continente africano.
No inicio vemos o jovem Agu (Abraham Attah) e restante família (pai, mãe, irmão e irmã) tentarem adaptar-se à nova realidade de um país em guerra, com a sua aldeia numa zona controlada. Mas tudo muda quando o conflito chega à região onde eles vivem. A mãe e a irmã conseguem fugir para a capital mas os homens da família são confundidos pelos soldados do governo por rebeldes e mandados matar. Apenas Agu consegue escapar embrenhando-se pela floresta adentro até ser capturado por um grupo rebelde que tem um sinistro e alucinado Comandante (Idris Elba). A partir daquele momento Agu fica a fazer parte do auto-proclamado Exercito de Libertação. Este Agu é apenas o rosto de muitos Agus que são tornados homens cedo demais apenas para servir os interesses pessoais daqueles que os comandam.

Fukunaga, que também é o director de fotografia, filma com mestria e mostra todo o horror vivenciado por esta criança. O miúdo Abraham Attah tem aqui uma estreia auspiciosa, não sendo de espantar que apareça nos nomeados para alguns prémios, o mesmo se passando com Idris Elba, cada vez mais a ganhar protagonismo no mundo do cinema. 
Um dos bons filmes que este ano nos mostrou.

NOTA: 8/10

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Idi i Smotri, de Elem Klimov


Idi i Smotri (em português Vem e Vê) é um olhar pessoal de Elem Klimov sobre a invasão da Bielorrússia por parte dos nazis durante a II Grande Guerra.  O filme é visto pela perspectiva de um rapaz chamado Florya que se junta a um grupo de guerrilheiros bielorrussos que combatem o invasor.  Durante a passagem por uma aldeia Florya é deixado para trás pelos outros combatente, que não o levam muito a sério e tem de se desenrascar sozinho no meio de todo aquele caos que se tinha instalado.
Idi i Smotri é horrível, devastador, intenso, perturbador, mas de forma assustadoramente bela e onde encontramos cenas que nos lembram o cinema de Tarkovsky e até de Kubrick.
Para muitos considerado como o melhor filme de guerra.

NOTA: 9/10

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Unbroken, de Angelina Jolie


Louis Zamperini era um promissor atleta americano que chegou a participar nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, estando nos seus planos ser medalhado nos JO de 1940. Só que por essa altura o mundo já estava ocupado com uma guerra e Zamperini foi chamado para a tribulação de um bombardeiro que combatia no Pacífico. Durante uma missão de salvamento o bombardeiro cai no meio do oceano e sobrevivem Zamperini e outros 2 camaradas. Andam à deriva num bote salva-vidas durante 47 dias (um deles acaba por falecer ao fim de 30 dias) e são resgatados por um navio japonês. Zamperini é feito prisioneiro de guerra, em alguns campos japoneses e tem como carrasco um dos mais sádicos guardas de campo japoneses, Mustsuhiro Watanabe. 
O filme tenta mostrar a resistência deste homem que é por diversas vezes posto à prova mas nota-se que falta intensidade dramática e um argumento que podia se melhor explorado. Apesar das mais de 2 horas sente-se que se podia ter ido mais além. Estranhamente o nome dos irmãos Coen surge associado ao argumento mas quero acreditar que eles fizeram uns rabiscos que depois passaram para outras mãos. Palavra para o actor Jack O'Connel, que desempenha com competência o papel de Zamperini 

NOTA: 6.5/10

sábado, 7 de junho de 2014

Incendies, de Denis Villeneuve


Quando a mãe de Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon Marwan (Maxim Gaudette) morre, começam as surpresas para este casal de gémeos. No testamento recebem dois envelopes inesperados: um dirigido ao pai que eles julgavam morto, o outro a um irmão de quem nunca tinham ouvido falar. Perante a relutância do irmão em satisfazer a vontade da mão, Jeanne decide imediatamente partir para o Médio Oriente em busca do passado e da história da mãe (Lubna Azabal), uma mulher que sempre fora algo distante e secreta. Mais tarde Simon acaba por se lhe juntar nessa viagem a um país (nunca é referido mas baseia-se no Libano durante a guerra civil) dilacerado por lutas internas.
Este foi o filme que deu a mostrar ao mundo Denis Villeneuve, um dos realizadores mais promissores do momento. Uma viagem ao destino trágico de uma mulher, apanhada nas malhas de um conflito que infelizmente não tem fim, ao som dos Radiohead. Incendies deixa qualquer um atordoado com a dureza dos factos.

O filme esteve nomeado para o Oscar de melhor filme estrangeiro e venceu prémios em vários festivais de cinema.

NOTA: 8/10

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Lone Survivor, de Peter Berg


Peter Berg, adapta com competência o livro de Marcus Lutrell sobre uma operação ocorrida em 2005 no Afeganistão, que correu terrivelmente mal.
A Operação Red Wings tinha como objectivo a captura (morto ou vivo) de um comandante talibã no norte do Afeganistão. A missão parecia fácil e os 4 Navy Seal enviados tinham tudo a postos para a concluir com êxito. Só que uma série de contratempos faz com que o caçador passe a presa e o autor do livro, aqui interpretado por Mark Wahlberg é o único sobrevivente. E é numa das cenas mais tensas do filme, onde eles têm de decidir se matam uma família de pastores que encontram. O avô (?) tem um walkie-talkie e o rapaz olha para os americanos com ódio nos olhos (segundo um dos Navy Seals). A decisão que tomam irá definir o seu futuro.
Um filme competente com grandes cenas de combate e muito suspense apesar de já sabermos o que ia acontecer àqueles soldados.

NOTA: 8/10

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Zero Dark Thirty, de Kathryn Bigelow


Após o 11 de Setembro, Maya (Jessica Chastain), uma analista da CIA, é recrutada para localizar os culpados dos atentados daquele fatídico dia, principalmente o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden.
Juntamente com os agentes Dan (Jason Clarke) e Jessica (Jennifer Ehle), Maya tem de trabalhar com informação limitada, fornecida por terroristas capturados, informações essas obtidas através de tortura e coerção. Com a pouca informação que lhes é fornecida, eles têm de discernir qual a que é válida e ligar os pontos. É assim que chegam a um homem chamado Abu Ahmad, que Maya acredita que seja o mensageiro de Bin Laden. Se encontrarem Ahmad, eles encontrarão Bin Laden.



O argumento já estava a ser escrito por Mark Boal (o mesmo de Hurt Locker, anterior filme da realizadora) antes da morte de Bin Laden, e centrava-se mais na incapacidade de os Estados Unidos em capturar o homem mais procurado do mundo, 10 anos após o 11 de Setembro. Teve por isso de ser reescrito e centrar-se na obsessão e persistência daqueles agentes na sua captura.
Kathryn Bigelow mostra mais uma vez a sua competência para filmes do género e o elenco (conta ainda com Kyle Chandler, Mark Strong ou James Gandolfini, por ex.) é do melhor que se pode ter, com o destaque para uma das actrizes do momento, Jessica Chastain.

NOTA: 8/10

terça-feira, 18 de setembro de 2012

As Flores da Guerra, de Zhang Yimou

Zhang Yimou é um dos melhores realizadores chineses e já nos apresentou filmes maravilhosos: Milho Vermelho, Judou, Esposas e Concubinas, A Tríade de Xangai, Herói, O Segredo dos Punhais Voadores. Todos eles filmes maravilhosos.
Desta vez deparou-se com o filme chinês mais caro de sempre e com a presença de uma estrela do cinema ocidental, Christian Bale.

Yimou foca aqui um acontecimento da Segunda Guerra sino-nipónica (o massacre de Nanquim - por aquela altura a capital da China) onde os japoneses, após conquistarem a cidade, procederam a todo o tipo de atentados contra a humanidade, desde violações a execuções em massa.
O filme tem algumas cenas espectaculares, algo já habitual no cinema de Yimou mas ainda assim longe da beleza fotográfica de filmes como Herói ou O Segredo dos Punhais Voadores.
Nota: 7/10

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Couraçado Potemkin, de Sergei M. Eisenstein


 O Couraçado Potemkin foi apenas o segundo filme de Sergei Eisenstein  e foi feito, na altura como comemoração dos 20 anos do acontecimento nele descrito -  a revolta do porto de Odessa de 1905. Os eventos que ocorreram durante esse ano serviram de catalisador para a revolução de 1917.
Tudo começou quando os marinheiros se recusaram a ingerir a comida estragada que os oficiais os estavam a obrigar a comer. E o que começou num motim transformou-se numa revolta contra o regime czarista. 

Considerado um dos melhores filmes de todos os tempos, O Couraçado Potemkin (1925) continua a ser um marco na história do cinema, pelo tema tratado, pelas tecnicas inovadoras para a época em que foi filmado e deve ser visto por todos os amantes da Sétima Arte.

A cena da escadaria foi homenageada por Brian de Palma no seu Untoutchables.

NOTA: 10/10

segunda-feira, 23 de abril de 2012

War Horse, de Steven Spielberg


Um cavalinho é domado por um rapaz, o pai do rapaz é obrigado a vender o cavalinho quando começa a Grande Guerra. O cavalinho parte para a guerra do lado dos bons (há bons nas guerras?) mas o rapaz afirma que eles vão voltar a estar juntos. Já na guerra o cavalinho anda a saltitar de lado (ora é dos bons, ora é dos maus) e por um momento bons e maus para a guerra para ajudar o cavalinho.

Já começa a ser tempo de o Spielberg fazer um filme mudo. Só com imagem.
Se assim fosse este War Horse teria nota 10. Fotografia espectacular, a fazer lembrar em alguns momentos o cinema de John Ford. Mas a história e os seus momentos lamechas é que eram escusados. 

NOTA: 8/10

terça-feira, 13 de março de 2012

Machine Gun Preacher, de Marc Forster

Quando um antigo biker toxicodependente decide mudar de vida, parte para África com o objectivo de conseguir redenção ajudando os mais necessitados. É ali que se vai deparar com uma realidade que irá mudar a sua vida, crianças forçadas a combater para os senhores da guerra.
Esta é a história veridica de Sam Childers que ajudou milhares de crianças sudanesas a sair dos horrores da guerra e a terem uma vida mais digna.

O primeiro filme de Marc Forster (Monster's Ball; Finding Neverland) depois de Quantum of Solace não vem confirmar aquilo de bom que ele já fez, o argumento deixa um pouco a desejar com algumas pontas soltas e outras aprofundadas demais.

Com Gerald Butler, Michelle Monaghan e Michael Shannon nos papeis principais.

NOTA: 7/10

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Mongol, de Sergey Bodrov


Genghis Kahn ficou conhecido como um dos maiores conquistadores de todos os tempos (só superado por Alexandre, o Grande). Este filme do realizador russo Sergei Bodrov olha para os anos de formação de Temudjin, o menino feito escravo que se viria a tornar Genghis Kahn, passando pela luta pela liberdade, a vingança pela morte da familia às mãos de um dos lideres de um clã rival, o mesmo que o tornou escravo.
Com uma bela direcção de fotografia e grandes cenas de batalha, este filme venceria o Oscar para melhor filme estrangeiro de 2008.

NOTA: 8/10

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Essential Killing, de Jerzy Skolimowski


No Afeganistão, um presumível terrorista é capturado após ter morto 3 americanos. Levado com outros prisioneiros para uma região gelada da Europa (não se chega a saber qual o país) acaba por escapar devido ao despiste de um dos camiões que transportava os detidos. A partir daí é uma luta pela sobrevivência sempre com os americanos no seu encalço.
Vincent Gallo, praticamente sem falar - grande parte do filme é só ele e a natureza - tem uma interpretação espantosa como este homem desesperado, capaz de tudo para sobreviver. A realização deste polaco de 72 anos ("O Uivo", "Quatro Noites com Anna", "Moonlighting") é igualmente excelente.

Nota: 8/10


segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Costa dos Murmurios, de Margarida Cardoso


Durante a guerra colonial, Evita (Beatriz Batarda) muda-se de Lisboa para Moçambique a fim de casar com Luis (Filipe Duarte). Aos poucos vai percebendo que Luís já não é o mesmo e que, perturbado pela guerra, se transformou num triste imitador do seu capitão, Forza Leal (Adriano Luz).
Os homens partem para uma grande operação militar no norte. Evita fica sozinha e, no desespero de tentar compreender o que modificou Luís, procura a companhia de Helena, a mulher de Forza Leal. Submissa e humilhada, Helena é prisioneira na sua casa onde cumpre uma promessa. Perdida num mundo que não é o seu, Evita apercebe-se da violência de um tempo colonial à beira do fim.

Boa primeira longa metragem de Margarida Cardoso nesta adaptação do livro de Lídia Jorge, com uma excelente recriação histórica, boas representações, boa fotografia e uma bela composição sonora de Bernardo Sassetti.

NOTA: 7/10

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Brothers, de Jim Sheridan


O Capitão Sam Cahill (Tobey Maguire) e o irmão Tommy Cahill (Jake Gyllenhaal) são o complete oposto. O primeiro é um US Marine prestes a embarcar na sua quarta comissão de serviço, um verdadeiro homem de família, casado com a namorada de liceu, Grace (Natalie Portman), com quem tem duas filhas. Tommy, o irmão mais novo, é um jovem à deriva, acabado de sair da prisão, e que rapidamente veste a pele de provocador da família, no jantar de despedida de Sam em casa dos pais, Elsie (Mare Winningham) e Hank Cahill (Sam Shepard), também ele com ligações à vida militar. A ida de Sam para o Afeganistão e o seu desaparecimento em combate, onde chega a ser dado como morto, vai alterar para sempre as vidas destas personagens.


O realizador britânico Jim Sheridan (O Meu Pé Esquerdo, Em Nome do Pai, O Boxeur ou Na América) adapta aqui o filme dinamarquês Brødre, de Susanne Bier (Tudo o Que Perdemos). Ainda não vi o filme original (fiquei com curiosidade) mas pelo que tenho lido Sheridan e o argumentista David Benioff foram fieis ao mesmo. A transformação da personagem de Sam, após o que passou no cenário do conflito é das coisas mais poderosas do filme e dão a Tobey Maguire um dos melhores, senão mesmo o melhor desempenho da sua (ainda curta) carreira. Jake Gyllenhaal, Natalie Portman (que foi nomeada a um Golden Globe por este papel) e Sam Shepard também têm desempenhos à altura.
Uma agradável surpresa.

Nota: 8/10

Trailer

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Green Zone, de Paul Greengrass


Paul Greengrass (Domingo Sangrento, Voo 93, Bourne Supremacy, Bourne Ultimatum) e Matt Damon voltam a juntar forças depois dos dois últimos episódios da série Jason Bourne e muitos até se poderão questionar se esta não é uma ida de Bourne ao Iraque, o que nem é negativo de todo, dada a qualidade desses dois filmes.
Greengrass vem da escola realista do documentário social televisivo britânico, com constantes vai-vem da câmara ao ombro, desta vez viaja até Bagdad, logo a seguir à fuga de Saddam para desvendar a vasta teia de mentiras que levaram os EUA a esta guerra, mais propriamente a não existência de armas de destruição maciça. O oficial do exército Roy Miller (Matt Damon) e os seus homens têm por missão encontrar essas armas e seguem informações confidenciais dadas por alguém que ninguém sabe quem é. E à terceira tentativa frustrada de encontrar essas armas, Miller começa a desconfiar que alguma coisa está mal contada naquela história e com a ajuda de um operacional da CIA (Brendan Gleeson) vai tentar descobrir o quê...

Um muito bom filme de guerra e acção, inspirado no livro de investigação do jornalista Rajiv Shandrasekaran. Além dos nomes já citados o filme conta ainda com Greg Kinnear, Amy Ryan, Jason Isaacs, Yigal Naor, Khalid Abdalla (que também já tinha filmado com Greengrass - ele era um dos terroristas em Voo 93).
NOTA: 8/10


sábado, 10 de abril de 2010

The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow


Dentro do género filmes de guerra/guerra(s) do Iraque, aqui está o melhor filme feito até ao momento. E logo aos olhos de uma mulher, Kathryn Bigelow. Kathryn já foi casada com James Cameron e realizou alguns filmes interessantes, tais como Point Break (com Keanu Reeves e Patrick Swayze), Strange Days (com Ralph Fiennes e Juliette Lewis) e K19-The Widowmaker (um drama baseado em factos reais, passado num submarino russo, com Harrison Ford e Liam Neeson).


Filmado na Jordânia, The Hurt Locker acompanha uma companhia com a maior taxa de baixas de toda a guerra. Eles são especialistas em bombas/minas e armadilhas numa cidade, Bagdad onde o perigo e a morte estão em qualquer lado. Centrado em 3 dos soldados dessa companhia, o filme acompanha-os em alguns episódios baseados em factos reais (o argumentista Mark Boal - In the Valley of Elah - entrevistou vários destes operacionais no campo de batalha).
K. Bigelow filma de forma impressionante - a fotografia é genial - todos os momentos de tensão que se vão vivendo ao longo de mais de duas horas de filme, e estes não são poucos. Além disso foca um aspecto importante que é o do vicio pelo perigo que este tipo de acção pode causa nos soldados.
Com actores ainda pouco conhecidos (ponham os olhos em Jeremy Renner e Anthony Mackie) e apenas breves aparições de Guy Pearce e Ralph Fiennes.
Venham mais filmes assim...

NOTA: 10/10

PS. Como sabem este foi o grande vencedor da ultima cerimónia dos Oscars, para além de ter arrecadado outros prémios importantes.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

The Men Who Stare at Goats, de Grant Heslov

Esta é uma historia ligeiramente baseada em factos verdadeiros.

O repórter Bob Wilton (Ewan McGregor) julgava ter tudo o que um homem podia desejar até perceber que, afinal, a mulher, com quem pensava estar bem casado, o trocou pelo editor do jornal onde ambos trabalhavam.
Para provar que consegue ultrapassar a traição, deixa tudo e vai para o cenário de guerra do Iraque, procurar um furo que o torne célebre. E é na fronteira com o Kuwait que conhece Lyn Cassady (George Clooney), um agente de forças especiais New Age que revela estar numa missão secreta em nome da sua Unidade de Super Soldados Jedis liderada por Bill Django (Jeff Bridges).
Inseridos num programa secreto do Governo dos EUA, estes guerreiros pacifistas possuem poderes paranormais que lhes permitem atravessar paredes, encontrar com a mente pessoas desaparecidas ou vencer o inimigo com o poder da mente, sem necessidade de sangue ou violência gratuita. Decidido a atravessar a fronteira com Lyn e encontrar a história que vai mudar a sua vida, Bob vê-se envolvido numa guerra entre os super soldados e Larry Hooper (Kevin Spacey), um antigo discípulo de Bill com contas para ajustar.

O filme adapta e satiriza o livro do jornalista Jon Ronson, com o mesmo título. Uma comédia non-sense bem, ao estilo dos irmãos Coen realizada pelo actor Grant Heslov (aparece nos filmes de Clooney, Good Night and Good Luck e Leatherheads). Destaque ainda para o elenco, principalmente para a personagem de Jeff Bridges, bem ao estilo do seu Lebowski.

NOTA: 8/10


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Inglorious Basterds, de Quentin Tarantino


Once upon a time in nazi-occupied France...


Em primeiro lugar há que dizer que Inglorious Basterds é muito mais que um filme de guerra. É principalmente uma homenagem ao cinema.

No primeiro ano da ocupação de França pelos nazis, Shosanna Dreyfus testemunha a execução da sua família às mãos do Coronel Hans Landa (magnífico Christoph Waltz). Shosanna escapa por pouco, e foge para Paris onde vai adquirir o nome de Emmanuelle Mimieux e dirigir uma sala de cinema.·
Entretanto, noutro ponto da Europa, o Tenente Aldo Raine organiza um grupo de soldados judeus americanos, com o simples objectivo de liquidar nazis. Conhecidos pelos seus inimigos como "os sacanas", o bando de Raine une-se à actriz e agente infiltrada alemã Bridget von Hammersmark numa missão para destruir os lideres do Terceiro Reich. Todas estas personagens se vão juntar num cinema e talvez aí decidir o futuro da humanidade, colocando um ponto final na guerra.

Com já disse, esta é acima de tudo uma homenagem ao cinema. De facto o filme está repleto de referências cinematográficas: temos um actor de cinema que é soldado (e herói nacional), temos uma actriz de cinema que é espia, temos um crítico de cinema que é espião, temos a dona de uma sala de cinema e temos o próprio cinema que se vai transformar num improvável campo de batalha. Além de varias outras “escondidas” em todo o filme.

A juntar a tudo isto estão os já famosos diálogos “à la Tarantino”, resultantes de mais um excelente argumento de Tarantino.

Nota máxima para todo o elenco, encabeçado por Brad Pitt no papel de Aldo Raine e com a presença além de outros de Eli Roth que surge também como realizador convidado, tendo dirigido o hilariante filme de propaganda nazi, “O Orgulho da Nação”. Mas para mim a melhor personagem é a do Cor. Hans Landa numa magnífica interpretação do desconhecido actor austríaco Christoph Waltz. De se tirar o chapéu e já a piscar o olho a uma possível nomeação ao Óscar de melhor secundário.

Ah. E como é normal no Tarantino não faltam os tiros, o sangue, as facadas, as bastonadas e os escalpes a serem tirados fazerem parte da colecção de Aldo Raine.

Tarantino Vintage…


NOTA: 10/10