Após a morte da mãe, dois irmãos,
Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster) organizam uma série de assaltos a
bancos, escolhendo apenas várias sucursais do mesmo banco. Eles têm poucos dias
para pagar a hipoteca ou perdem propriedade da família. Tudo corria dentro da
normalidade até se cruzarem com o ranger Marcus Hamilton (Jeff Bridges) que
traça o perfil e as motivações dos dois assaltantes, antecipando os seus golpes
e perseguindo-os por todo o território norte-americano até que um deles cometa
um erro.
Brilhantemente escrito por Taylor
Sheridan, que também escreveu o argumento de Sicario, de Denis Villeneuve, este
não apenas um filme sobre polícias atrás de bandidos, embora esse lado também
esteja muito bem retratado, é também um drama social, com uma crítica implícita
à forma como as instituições bancárias tratam as pessoas.
A relação entre os dois irmãos é
muito bem desenvolvida. Toby, o irmão mais novo e também o mais calmo, quer
salvar a propriedade da família para ter algo para deixar aos filhos. Tanner, o
mais velho que saiu recentemente da prisão quer fazer as coisas à sua maneira
para ajudar o irmão. A interpretação de
Chris Pine e Ben Foster é irrepreensível, com o primeiro a deixar-me pela
primeira vez surpreendido com o seu desempenho.
Quem dispensa apresentações é
Jeff Bridges, tremendo no papel de Marcus.
Também a realização de Mackenzie
é brilhante. Dele só tinha visto Starred Up e já na altura tinha
ficado surpreendido. Consegue brilhantes interpretações dos quatro
protagonistas e mesmo quando o filme exige momentos de acção, estes são muito
bem desenvolvidos.
Destaque ainda para a tremenda
banda sonora de Nick Cave e Warren Ellis e para a fotografia de Giles Nuttgens.
Com tons de western moderno, Hell
or High Water (que em Portugal surge com o titulo Custe o Que Custar!) é um
dos melhores filmes que estrearam em Portugal em 2016. A não perder.
Michèle
(Isabelle Huppert) é uma mulher de meia-idade que dirige uma grande companhia
de videojogos e comanda com mão de ferro tanto os seus negócios como a sua vida
sentimental. Um dia, é atacada e violada por um homem mascarado, na sua própria
casa. Em vez de chamar a polícia ou entrar em desespero, Michele limpa os
estragos, toma banho e arquitecta um plano de vingança. Entre ela e o criminoso
dá-se então início a um perigoso jogo de perseguição que depressa fica fora de
controlo.
Baseado
no romance "Oh…", escrito, em 2012, por Philippe Djian, este é um
"thriller" psicológico que marca o regresso à realização de Paul
Verhoeven ("Instinto Fatal”, “Robocop”, “Total Recall” ou “Livro Negro”).
Perturbadora
e inquietante obra de Paul Verhoeven, que aqui regressa ao seu melhor. O filme
tem o seu quê de hitchcockiano mas também nos faz lembrar Instinto Fatal
(também de Verhoeven) ou Ata-me, de Pedro Almodovar.
Com
uma Isabelle Huppert sublime no papel de Michèle Leblanc, Elle é um filme a não
perder na obra deste multifacetado cineasta holandês. NOTA: 8/10
Uma onda de assassinatos violentos assola uma pacata vila sul-coreana. Esses crimes coincidem com a chegada de um misterioso forasteiro que se instala na vizinhança, o que desperta medo e desconfiança nos locais. Entre os moradores está o policial Jong-Goo (Kwak Do-won), que comanda a investigação e até a sua própria filha se torna alvo da maldição que assola a região. Para combater este poder maléfico ele pede a ajuda de um xamã para encontrar e destruir o culpado das mortes.
Mais um bom exemplo da qualidade do cinema sul-coreano, não só no género de terror (como é aqui o caso) mas também noutros géneros. Hong-jin Na é o realizador de The Chaser, que também vi recentemente.
Continua a luta de Daniel Holden, que passou 19 anos no corredor da morte para se encaixar na sociedade, agora longe de casa, devido a um acordo que fez e sem possibilidade de regressar.
Um 1º episódio muito intenso, totalmente passado na sua nova morada/emprego/amigos.
Prove-se ou não que Daniel é inocente a sua vida já está arruinada e será difícil voltar à normalidade.
Andava para ver The Americans há algum tempo, aliás vi o primeiro episódio na altura que estreou mas só agora meti a série em dia.
São quatro temporadas do melhor que se faz para TV com suspense e situações inesperadas a ocorrer a qualquer momento.
Estamos no inicio dos anos 80 e a guerra-fria ainda está bem viva. EUA e URSS têm espiões por todo o lado, sendo os mais importantes aqueles que estão infiltrados no país inimigo. Philip e Elizabeth são um casal de espiões soviéticos que desde há muito tempo vive nos Estados Unidos, onde passam despercebidos como uma família normal. Têm emprego numa agência de viagens, filhos, mas secretamente espião para o seu país de origem, a União Soviética. Um dia aparecem uns novos vizinhos no bairro. Um casal com um filho, o pai é agente do FBI e trabalha para o departamento que caça espiões soviéticos.
Criada por Joe Weisberg, ele próprio ex-agente da CIA, e que já havia escrito para séries como Falling Skies e Damages, The Americans tem no trio de protagonistas ( Keri Russel, Matthew Rhys e Noah Emmerich) um dos seus pontos fortes.
Na história do cinema não é novidade um filme ser rodado em apenas um take.
Recentemente, Biutiful de Alejandro Iñarritu não foi filmado num só take mas foi editado criando essa ilusão. Sebastian Schipper vai mais longe e filma as 2 horas de Victoria em apenas um take. Claro que isto não é novidade na história do cinema, A Arca Russa, de Aleksandr Sokurov (2002), foi filmado assim. Clássicos como Goodfellas (Scorsese), Shining (Stanley Kubrick) ou The Rope (Hitchcock) têm longos e extraordinários takes e o mesmo já foi experimentado em séries de TV, como é o caso de True Detective, no 4º episódio da 1ª temporada, filmado por Cary Joji Fukunaga.
E é por isso que este Victoria é um projecto ambicioso, com Sebastian Schipper a pegar num argumento de apenas 12 páginas, co-escrito por ele e outros dois comparsas.
Victoria (Laia Costa) é uma jovem trabalhadora-estudante espanhola que está a aproveitar as ultimas horas da madrugada a dançar numa discoteca de Berlim, onde vive há algum tempo. Com o amanhecer a aproximar-se ela sai da discoteca para ir descansar um pouco, antes de abrir o café onde trabalha. E é cá fora que ela encontra um grupo de amigos, Sonne (Frederick Lau), Boxer (Franz Rogowski), Blinker (Burak Yigit) e Fuss (Max Mauff). Victoria identifica-se logo com eles, acha-lhes piada e decide passar algum tempo com o grupo a beber, fumar e conversar. Só que uma chamada recebida por Boxer vai alterar o rumo dos acontecimentos. E não é para melhor.
De inicio somos levados a temer pela segurança de Victoria, a rapariga estrangeira metida no meio de um grupo de alemães com intensões duvidosas. Mas depois começamos a perceber que um deles, Sonne gosta mesmo da rapariga e começamos a ficar um pouco mais confortáveis no filme até ao início das incidências que dão uma reviravolta à madrugada deste grupo que só se queria divertir.
Uma agradável surpresa, que descobri por acaso e que até venceu alguns prémios importantes em Festivais de Cinema, incluindo o de Berlim.
Há séries do caraças e The Night Of é uma delas.
Criada e realizada (a maior parte dos 8 episódios) por Steven Zaillian, argumentista de A Lista de Schindler, entre outras coisas, para a HBO.
Quando quer uma noite de farra com os amigos, Nasir rouba o taxi do pai mas perde-se pela cidade de Nova Iorque. Uma bela rapariga entra-lhe pelo taxi e pede que a leve à praia. Deslumbrado com a beleza da moça, Naz esquece a festa com os amigos e leva-a onde ela quer. Sendo que estala uma quimica entre ambos e o próxima etapa é o apartamento dela. Depois de algumas (muitas) drogas, álcool e jogos mais ou menos perigosos os dois acabam na cama. Na cena seguinte vemos Naz acordar sentado numa cadeira, na cozinha e dirige-se ao quarto para se despedir da rapariga. E é aí que repara que ela está toda esfaqueada e no meio do pânico foge do local do crime levando a faca com que tinham estado a "brincar".
O que se segue é uma história processual com este jovem paquistanês a ver a sua vida ser completamente alterada por aquele acontecimento.
Em The Nigt of é tudo tão bom que quase sinto que é injusto só referir John Turturro (aquele que se oferece para ser advogado de Naz). Riz Ahmed, que faz o papel de Nasir também está à altura e na prisão vai encontrar o grande Michael Kenneth Williams que o vai ajudar a sobreviver naquele perigoso mundo. E ainda há o detective Box (excelente Bill Camp) e a irritante advogada de acusação (Jeannie Berlin).
São apenas 8 episódios mas sempre em a crescer a nível de qualidade.
Stranger Things é das melhores coisas que se fizeram para TV nos últimos tempos.
Uma carta de amor aos anos 80, não só porque se passa nessa década do séc. XX mas principalmente pelas inúmeras referências que por lá andam nos oito episódios.
Se falarmos em filmes recentes, Stranger Things podia ser Super 8 passado para televisão. Sendo que Super 8 já era uma homenagem a alguns filmes produzidos ou realizados por Steven Spielberg durante a década de 80.
Passado em 1983 na pequena localidade de Hawkins, Indiana acompanhamos 4 amigos, Mike, Lucas, Dustin e Will, durante uma jogatana de Dungeons & Dragons em casa de um deles. Depois de terminado o jogo Will, durante o trajecto para casa desaparece misteriosamente. Enquanto muitos pensam que está morto, a mãe, os 3 amigos e uma rapariga estranha, que entretanto aparece tentam encontrá-lo.
As referências aos 80’s começam logo com os excelentes créditos iniciais acompanhados por uma música à John Carpenter (pelos S U R V I V E). Como não podia deixar de ser a marca que Steven Spielberg deixou durante aquela década faz-se notar. E.T. (os amigos, a fuga nas bicicletas, Eleven, a menina com poderes especiais que também vive escondida em casa de um deles, como o Extraterrestre em casa de Elliot) ou Encontros Imediatos do 3º Grau (a obsessão da mãe de Will ou Goonies (novamente a amizade). Também nos lembramos de Stephen King, dos filmes de monstros e de Stand by Me. As referências tornam-se mais evidentes nos posters nas paredes do quarto de algumas personagens juvenis (JAWS, The Thing, por exemplo).
Outro dos pontos fortes da série é o seu elenco. Principalmente o elenco juvenil, liderados pela excelente Millie Bobby Brown na pele de Eleven, uma rapariga que passou sua infância a servir de cobaia para a maléfica organização que está instalada nas redondezas da cidade. Matthew Modine (actor que teve o seu momento alto nos anos 80) está medonho como o líder dessa organização e Winona Ryder é a mãe de Will e cumpre no papel que desempenha, mas o destaque nos adultos vai para David Harbour no papel do xerife local.
Os irmãos Matt e Ross Duffer criaram uma das melhores séries de 2016, uma viagem no tempo a uma época que me diz muito e onde até a banda sonora recorda aqueles tempos: Joy Division, New Order, Echo & the Bunnymen, The Clash, Peter Gabriel, entre outros.
Eu que tinha a idade destes putos em 1983 adorei. Senti-me em casa e revi-me em cada um deles, em cada tijolo Panasonic, ou gira-discos, ou filmes, ou aventuras que vivemos naquela altura.
Não sabia o que era Banshee até há pouco mais de uma semana e assim que lhe peguei só consegui parar porque já não havia mais episódios para ver.
Um homem é libertado ao fim de 15 anos de prisão devido a um roubo de diamantes que correu mal. Ao sair da prisão é perseguido pela máfia ucraniana, a mando do seu chefe, Mr. Rabbit. Depois de descobrir onde está a sua ex-namorada Anastasia (filha de Rabbit), este desconhecido dirige-se para a pequena localidade de Banshee, na Pensilvania, onde Anastasia vive agora sob o pseudónimo de Carrie Hopewell e está casada com um procurador público local.
Entretanto chega à cidade um novo xerife, Lucas Hood que se irá apresentar no dia seguinte. Só que este é morto por dois rufias locais e o nosso John Doe assume a sua identidade e começa assim a sua saga como xerife de Banshee, tendo como principal inimigo um ex-Amish Kai Proctor, o senhor do crime da região, enquanto tenta recuperar a sua parte dos diamantes roubados e fugir a Mr. Rabbit que o quer morto a todo e qualquer custo.
São 4 temporadas de 10 episódios (a última tem apenas 8), de uma série criada por Jonathan Tropper e David Schickler, e que conta ainda com a presença como produtor executivo de Alan Ball (Six Feet Under e True Blood).
Muita acção, muito suspense e personagens do melhor (Job, Kai Proctor ou o sinistro Clay Burton são exemplo disso).