quarta-feira, 2 de abril de 2008

Cria Corvos, de Carlos Saura

Aos 9 anos, Ana (Ana Torrent) vê os seus pais morrerem num curto espaço de tempo.
Ela acredita ter um estranho poder sobre a vida e a morte dos seus familiares. Por isso, carrega um misto de culpa e remorso que a acompanhará até à idade adulta.

O título do filme baseia-se num ditado que diz que quem cria corvos terá por eles os olhos arrancados.
Conhecido na época pelos seus filmes políticos, desta vez Saura não os aborda aprofundadamente, embora a família de Ana posa representar a Espanha de Franco, com todas as suas culpas.
Destaque ainda para a linda canção-tema do filme, "Por que te vas" e para Ana Torrent, no papel de Ana. Torrent que prossegue a carreira na idade adulta e pode ser vista em filmes como Tese de Alejandro Amenabar, no português Amor e Dedinhos de Pé, de Luis Filipe Rocha e mais recentemente em The Other Boylen Girl, ao lado de Natalie Portman, Scarlett Johanson e Eric Bana. O filme conta ainda com a companheira de Saura na altura, Geraldine Chaplin, filha de Charlie Chaplin e habitué nos filmes do realizador espanhol.

NOTA: 9/10

terça-feira, 1 de abril de 2008

Into the Wild, de Sean Penn

Recentemente saído da Universidade, com um brilhante futuro à sua frente, Christopher McCandless (Emile Hirsh), um jovem de 22 anos, opta por prescindir da sua vida privilegiada e partir em busca de aventura. O que lhe acontece durante este percurso transforma este jovem vagabundo num símbolo de resistência para inúmeras pessoas.
Era Christopher McCandless um aventureiro heróico ou um idealista ingénuo, uma pessoa que tudo arriscava ou uma trágica figura que lutava com o precário balanço entre homem e natureza?

O filme é baseado no livro de Jon Krakauer que por sua vez relata a verdadeira jornada de McCandless a partir de notas deixadas pelo próprio.

Grande filme realizado por Sean Penn, com planos de rara beleza e excelentes interpretações (principalmente de Emile Hirsh que já havia surpreendido em Alpha Dog) e com uma excelente banda sonora de Eddie Vedder.

NOTA: 9/10


sábado, 29 de março de 2008

sexta-feira, 28 de março de 2008

Quem te avisa teu amigo é*...


"A Amy Winehouse não dura muito, se não se puser fina"

Kieth Richards


* ou então está com medo que gastes tudo!!!

quinta-feira, 27 de março de 2008

I'm not there, de Todd Haynes

Bob Dylan (aqui interpretado por 6 actores diferentes - Christian Bale / Cate Blanchett / Heath Ledger / Marcus Carl Franklin / Richard Gere / Ben Whishaw), ícone musical, poeta e porta-voz de uma geração. Sempre viveu em constante mutação ao longo da vida, especialmente durante os anos 60/70.
Musicalmente, fisicamente, psicologicamente, as alterações da sua personagem pública dialogaram com acontecimentos sociais e ocasionaram múltiplas repercussões culturais. De jovem trovador a profeta folk, de poeta moderno a roqueiro, de ícone da contra-cultura a cristão renascido, de cowboy solitário a popstar.

Uma curiosa visão por Todd Haynes desse autentico mito vivo que é Dylan. I'm not there tem excelentes trabalhos quer de realização quer dos actores, sobressaindo neste caso Cate Blanchett com o seu Jude Quinn. Tem ainda a particularidade de ter sido um dos ultimos papeis de Heath Ledger, que provava aqui que os desempenhos em Monster's Ball e Brokeback Mountain não foram obra do acaso.

NOTA: 8/10


The Mist, de Frank Darabont

A Premissa:
Depois de uma terrível tempestade que provocou cortes de electricidade e quedas de árvores, David resolveu ir à cidade buscar mantimentos, com o pequeno filho Billy. Mas acaba por ficar fechado com um grupo de outros habitantes da cidade na mercearia local por causa de uma estranha neblina que se abateu no exterior. David é o primeiro a perceber que há coisas escondidas na neblina... coisas horríveis, mortíferas... criaturas que não são deste mundo. A sobrevivência do grupo, entre os quais está o gerente, uma professora da escola, uma fanática religiosa e um vizinho mal amado, depende da união entre todos. Mas será isso possível devido à natureza humana? À medida que a razão se perde, face ao medo e ao pânico, David começa a duvidar sobre o que o aterroriza mais: os monstros na neblina - ou os que estão no interior da loja, a raça humana, as pessoas que até agora foram os seus amigos e vizinhos?

Mais uma adaptação de um conto de Stephen King por parte de Frank Darabont (Os Condenados de Shawshank e The Green Mile, foram os outros), desta vez aliando o terror ao fantástico. E mais uma vez Darabont não nos desaponta dá-nos 2 horas de suspense e terror puro.

Aguarda-se agora com expectativa a sua adaptação do romance de Ray Bradbury Fahrenheit 451 (já adaptado anteriormente pelo grande François Truffaut).

NOTA: 9/10

Trailer:

segunda-feira, 24 de março de 2008

The Kite Runner, Marc Forster

A PREMISSA: Cabul, Afeganistão, em 1978, antes dos Russos, dos Talibã, dos Americanos e da anarquia. Amir junta-se aos inúmeros rapazes que enchem o céu de papagaios que por vezes dançam sobre os telhados na sua luta de tentarem cortar as linhas dos outros papagaios. O amigo de Amir é Hassan, o filho de Ali, um criado de longa data da família, que está com eles há anos e que é como se fizesse parte da família.

Hassan é o melhor corredor de papagaios da vizinhança, anunciando correctamente quando é que um papagaio cai por terra, e indo esperá-lo ao local exacto para o agarrar. Mas há um rufia na vizinhança que tem ciúmes de Amir e do seu papagaio, dos seus dotes, e do seu corredor de papagaios. Num dia que irá transformar a vida de muitos, ele e o seu bando perseguem Hassan...

Marc Forster continua-me a surpreender. Ele que ultimamente só tem realizado bons filmes. É por isso com enorme expectativa que espero o próximo Bond, Quantum of Solace.

NOTA: 9/10

Trailer:

vindos das profundezas...

O novo disco dos Bauhaus, soa mais a um bom disco do Peter Murphy com os outros 3 a tocar, do que outra coisa.



Voltem lá então para as profundezas....

quinta-feira, 20 de março de 2008

The Hunting Party, de Richard Shepard


O repórter de televisão Simon Hunt (Richard Gere) e o operador de câmara Duck (Terrence Howard) trabalharam nas zonas de guerra mais quentes do mundo: passaram pela Bósnia, Iraque e Somália. Juntos, esquivaram-se a balas e coleccionaram prémios. Mas, durante uma transmissão ao vivo na Bósnia, Simon tem um problema em directo. Depois desse acidente, Duck é promovido e Simon simplesmente desaparece.
Cinco anos mais tarde, Duck regressa a Sarajevo com um repórter novo, Benjamin, para cobrir o quinto aniversário do fim da guerra. Simon reaparece então com a promessa de um exclusivo mundial, convencendo Duck que conhece o paradeiro do mais procurado criminoso de guerra. Simon, Duck e Benjamin embarcam então numa perigosa missão em território hostil. É o furo jornalístico de uma vida, mas será que regressarão com vida para o contar?

Do mesmo realizador de Matador


A NOTA: 8/10

O trailer:


PS. O título em português (Na Sombra do Caçador) levou algumas pessoas às salas de cinema pensando que era a obra prima de Charles Laughton. Coincidências. Foi por acaso que vi os dois filmes na mesma semana.

quarta-feira, 19 de março de 2008

A Sombra do Caçador, de Charles Laughton


Lembro-me de ver A Sombra do Caçador numa reposição no cinema Ávila, em Lisboa, algures nos finais dos anos 90. Sai da sala completamente extasiado com o que acabara de ver.

A Sombra do Caçador (The Night of th Hunter, no original) foi o unico filme realizado pelo actor Charles Laughton (Pousada da Jamaica e Spartacus, são dois dos filmes mais conhecidos que protagonizou).
E logo uma obra prima.
Uma mistura de filme de terror com conto de fadas, com o magnifico Robert Michum no papel de uma espécie de barba azul, um pastor religioso e ao mesmo tempo assassino das mulheres que vai casando.
O filme tem cenas memoráveis e foi inclusive alvo de estudo através de um livro.


Este é um dos filmes que um amante de cinema jamais deverá perder.

NOTA: 10/10

terça-feira, 18 de março de 2008

Anthony Minghella, 1954-2008

Realizador, argumentista, homem do teatro, faleceu ontem Anthony Minghella, aos 54 anos.
Talvez o seu trabalho mais conhecido fosse O Paciente Inglês, com o qual ganhou o Oscar para melhor realizador, tendo o filme arrecadado mais 8 estatuetas douradas. Realizou ainda O Talentoso Mr. Ripley, Cold Mountain e mais recentemente Assalto e Intromissão.

Para sempre ficam imagens como estas:

quarta-feira, 12 de março de 2008

Jumper, de Doug Liman

Sinopse:
David Rice parece um jovem como todos os outros, mas não é. David pode tomar o pequeno-almoço nas pirâmides do Nilo e segundos depois estar a fazer surf na Austrália. Impossível? Não para um "jumper", alguém a quem uma anomalia genética transmitiu um dos poderes mais cobiçados de sempre: o teletransporte. David pode teletransportar-se para qualquer parte do mundo, ver vinte vezes o pôr-do-sol ou em segundos roubar milhões de dólares.
Mas David, ao contrário do que pensa, não está sozinho e não é o único a ter este poder. A longa linhagem de "Jumpers" é acompanhada por uma agência secreta, os Paladinos, que têm como missão eliminar David e os seus semelhantes para os impedir de usar os seus poderes para praticar o mal. Perseguido por todo o globo, David descobre passo a passo a surpreendente verdade sobre o seu passado e a sua família.

May the force be with you Hayden...

Nota: 7/10

o poster oficial

terça-feira, 11 de março de 2008

uma ida ao sótão #1

O concerto dos Cure fez-me entrar na máquina do tempo!
Decidi por isso ir ao sótão em busca de tesouros perdidos... e a primeira coisa que descobri foi esta.
Por acaso também cá está o Robert Smith...

Melt! - Siouxsie and the Banshees (1983)

segunda-feira, 10 de março de 2008

e lá fui eu outra vez...

Já lá vai o tempo em que os Cure eram a minha banda preferida. Tinha os discos todos, sabia a maior parte das letras, vestia-me de preto, tinha uns ténis (bota) à Robert Smith e só não usava o cabelo como ele porque senão não entrava em casa (o cabelo à Morrisey era mais aceitavel).

Os meus discos preferidos eram (e continuam a ser) os primeiros 4, Three Imaginary Boys, Seventeen Seconds, Faith e Pornography. Foi por isto que em 1989 lá fui eu ver um grande concerto, de 3 horas a Alvalade.

Passados 19 anos desse mitico concerto lá fui eu, novamente ver a banda de Robert Smith. A tusa já não é a mesma mas o gosto por a maior parte das musicas mantém-se, e o que posso dizer é que deram um belissimo concerto (novamente 3 horitas - aqui o dinheiro é bem empregue), com 37 musicas a maior parte das quais as velhinhas que fizerem vibrar o Pavilhão Atlântico.

Os Cure (agora são 4) têm 32 anos de carreira, estão mais velhinhos mas continuam em grande forma.

Alinhamento:

Plainsong
Prayers For The Rain
A Strange Day
Alt.End
The Blood
The End of the World
Love Song
A Boy I Never Knew
Pictures of You
Lullaby
From The Edge of The Deep Green Sea
Kyoto Song
Please Project
The Walk
Push
Friday I'm In Love
In Between Days
Just Like Heaven
Primary
Never Enough
Wrong Number
One Hundred Years
Disintegration

ENCORE 1
At Night
M
Play For Today
A Forest

ENCORE 2
Lovecats
Let's Go To Bed
Freak Show
Close To Me
Why Can't I Be You

ENCORE 3
Boys Don't Cry
Jumping Someone Else's Train
Grinding Halt
10.15 Saturday Night
Killing An Arab

E esta continua a ser uma das minhas preferidas:

sexta-feira, 7 de março de 2008

Klaxons

Foi das melhores coisas que apareceram o ano passado.
Estiveram no Super Bock Super Rock e deram um grande concerto.

Este é umas das grandes músicas (até os Clã já fizeram uma versão):

terça-feira, 4 de março de 2008

Haverá Sangue, de PT Anderson


Haverá Sangue, de PT Anderson é uma experiência cinematográfica fora do normal. Cinco anos depois do seu ultimo filme (Punch-Drunk Love), o realizador de Boogie Nights e Magnolia ainda pode ser durante este período assistente de realização de um dos seus mestres, Robert Altman no seu ultimo, filme Bastidores da Rádio.
Haverá Sangue (There Will Be Blood, no original - baseado livremento no romance Oil de Upton Sinclair) é um épico sobre um prospector de petróleo, Daniel Plainview (Daniel Day Lewis), um homem ambicioso e sem escrúpulos disposto a tudo para conseguir o que quer.
Começa com ele à procura de ouro e prata para depois se virar para o sangue da terra.
Os primeiros 20 minutos de filme sem qualquer diálogo, apenas ao som da magnifica banda sonora e o final são dignos exemplos desta magnifica experiência cinematográfica. Mas o que move grande parte do filme é o confronto entre Palinview e o jovem pregador Eli Sunday que se aproveita da exploração petrolífera das suas terras.

Estou habituado a ver grandes interpretação a Day Lewis (O Meu Pé Esquerdo, Em Nome do Pai, Gangs de Nova Iorque) mas esta é completamente fora de série e o Oscar que acabou por ganhar é mais que justo. Paul Dano, no papel do jovem pregador (ou pecador?) que vai tirando o demónio do corpo das pessoas, tem também um registo impressionante. Ele que já havia estado muito bem em Little Miss Sunshine.

Espero que não tenhamos de esperar mais 5 anos para voltar a rever um filme do grande Paul Thomas. Mas se for da qualidade deste a espera vale a pena.

Nota final para a magnifica banda sonora de Jonny Greenwood (guitarrista dos Radiohead). É raro sentir que uma banda sonora encaixa na perfeição no filme. Acontece isso com esta.

NOTA: 10/10

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

O filme

O ultimo filme dos Coen, que acabou de conquistar os principais Oscar é daqueles filmes, devido aos quais eu gosto tanto de Cinema.

Depois de uma derivações na sua magnifica obra, com filmes não tão bons como aqueles a que eles nos abituaram, os Coen voltam ao negrume das seus melhores trabalhos (Blood Simple, Histórias de Gangsters ou Fargo, por ex.) com esta história que adapta o excelente livro de Cormac McCarthy sobre a ganância de um homem, Llewelyn Moss que acha uma mala cheia de dinheiro e tudo fará para ficar com ela, mesmo que isso crie uma reacção em cadeia de pura violência (magnifica o diálogo com a mulher em que ele, em género de despedida diz: - Tell my mother I love her! - But your mother is dead! - Well... Then I tell her myself...).
Claro que o dinheiro pertence a alguém que o quer reaver e para o resgatar está o pior (e melhor também) vilão desde Hannibal Lecter. O seu nome é Anton Chigurh, numa assombrosa interpretação de nuestro hermano Javier Bardem.
O filme fala também do desencanto de já não se ter idade para certas coisas e de a América já não ser um país para os Old Timers aqui bem personificados pela figura do idoso e desiludido Xerife Bell (um excelente Tommy Lee Jones).

Saúdo este regresso dos Coen à boa forma e fiquei contentíssimo com os Oscars conquistados.
Um filme a rever obrigatoriamente.

Que os Coen não se desviem muito nos próximos filmes pois este é o seu caminho.

NOTA 10/10