sábado, 23 de abril de 2016

The Hateful Eight, de Quentin Tarantino




Poucos anos após a Guerra da Secessão, uma diligência avança a toda a velocidade pela infernal paisagem do Wyoming. Lá dentro vão, o caçador de recompensas John Ruth (Kurt Russel) e a fugitiva Daisy Domergue (Jenniffer Jason Leigh). O objectivo é chegarem rapidamente a Red Rock, onde Ruth entregará Domergue às autoridades e assim receber a recompensa. Pelo caminho encontram dois desconhecidos: o major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e Chris Mannix (Walton Goggins) um sulista renegado que afirma ser o novo xerife de Red Rock. Com a chegada de um forte nevão os 4 refugiam-se na estalagem de Minnie, porém não é Minnie que está para os receber mas sim outros 4 rostos desconhecidos. Bob (Demián Bichir) que toma conta da estalagem na ausência de Minnie, Oswaldo Mobray (Tim Roth), o carrasco de Red Rock, o cowboy Joe Gage (Michael Madsen) e o general confederado Sanford Smithers (Bruce Dern). Com o agravar da tempestade eles começam a perceber que não vão sair dali tão cedo e aproveitam para descobrir os segredos de cada um… 

Como qualquer filme de Quentin Tarantino, The Hateful Eight tem cenas de extrema violência, muito sangue a jorrar e diálogos geniais, com a acção a passar-se quase totalmente no mesmo espaço, como já tinha acontecido em Cães Danados, a primeira longa-metragem de Tarantino, com os níveis de tensão entre personagens ainda mais sofisticados. Fiquei fascinado com todas as interpretações, sendo que as mais sobressaem são as de L. Jackson, Walton Goggins e uma Jenniffer Jason Leigh como nunca a tínhamos visto, de longe o seu melhor desempenho no cinema. 

The Hateful Eight foi totalmente filmado em 70 mm, pelicula que confere uma maior riqueza a nível de nitidez e detalhes. A banda sonora ficou a cargo do genial Ennio Morricone (quem não se lembra da BSO de Era Uma Vez na América?), que acabaria por conseguir o único Oscar para o filme. 

The Hateful Eight é Tarantino vintage e é de visualização obrigatória.

NOTA: 9/10

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Outsiders


Terminou a primeira temporada de Outsiders. 
Já tinha dito aqui que era uma série do caraças. Feios, porcos e maus, um pouco ao nível de Sons of Anarchy. 
Um clã vive nas montanhas Appalachia desde sempre e recusam-se a sair de lá. Não usam dinheiro e produzem as suas próprias coisas. Um deles esteve 10 anos no meio da civilização mas voltou. Civilização essa que não os aceita mas tem medo deles. Até ao dia que chega à região uma empresa que quer extrair riqueza daquelas montanhas e para isso tem de os correr de lá. Só que os Farrel não saem. Nem a bem, nem a mal. E os problemas começam. Como se não bastasse ainda há as guerras internas pela liderança do clã, com o novo líder a usar de todos os métodos para se manter no poder e uma pequena facção que está contra esses métodos e não o considera um líder à altura.

Entre os principais actores encontramos David Morse (grande papelaço), Ryan Hurst (o Opie de Sons of Anarchy), Joe Anderson (da série Hannibal) e Thomas M. Wright (das séries The Bridge e Top of the Lake). 

Grande primeira temporada.

Season Finale

Fim de temporada de duas das melhores séries do momento. Better Call Saul terminou a 2ª temporada e Vinyl viu chegar ao fim a temporada de estreia.


Better Call Saul, que é spin-off de Breaking Bad, pois recupera uma das personagens mais marcantes dessa série, o advogado sem escrúpulos Saul Goodman, que para já ainda mantém o nome de nascimento Jimmy McGill. Se Saul e Mike já tinha sido grandes personagens em Breaking Bad, aqui são muito mais espremidas e a natureza das mesmas ainda se torna mais marcante. 
Nesta segunda temporada vemos Jimmy e Kim Wexler a tentarem das os primeiros passos com a sua própria firma de advogados, com o irmão Chuck a fazer com que Jimmy não tenha sucesso, enquanto Mike tem de lidar com o lider do cartel de Juarez, Hector Salamanca (outra das personagens importantes de Breakinga Bad).


Vinyl acompanha a cena musical nova iorquina dos anos 70 e é produzida por Martin Scorsese e Mick Jagger. Nela seguimos os passos de Richie Finestra como executivo de uma editora discográfica que procura ter sucesso conseguindo os melhores nomes da altura e descobrindo bandas novas. 
Vinyl é um 'must see' para quem gosta de música, para quem gosta de séries e para quem é seguidor do trabalho de Martin Scorsese. Uma destas condições basta para pegar na série, se forem as três então estamos perante um orgasmo televisivo.

terça-feira, 19 de abril de 2016

The Temper Trap estão de volta

Depois de terem surpreendido com o disco de estreia, Conditions (2009) que tinha temas como 'Sweet Desposition', 'Fader' ou 'Love Lost', os Temper Trap regressaram em 2012 com um disco homónimo bastante inferior.
Quatro ano depois estão de volta. O álbum sai em Junho e este 'Fall Together' é um dos temas. 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Room, de Lenny Abrahamson


Um dos textos mais conhecidos de Platão é a Alegoria da Caverna. Nele dois homens viraram sempre acorrentados numa caverna, e passam os dias a olhar para uma parede no fundo da caverna. Nessa parede são projetadas sombras de estátuas representando pessoas, animais, plantas e objetos, mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Um dia um deles consegue fugir e fica fascinado com o mundo real, volta para contar ao companheiro e para o libertar mas este não acredita e prefere ver o mundo como sempre o imaginou. 
Neste filme passa-se algo idêntico. Jack sempre viveu confinado a um quarto com a sua mãe, que foi raptada quando tinha apenas 17 anos e aprisionada na quele pequeno espaço. O mundo para Jack está dentro daquelas 4 paredes, é a cama, o lavatório, a retrete, o frigorífico e o céu que observa através de uma pequena abertura. Quando Jack faz 5 anos a mãe decide que é altura de tentarem a fuga e começa a explicar ao filho que há um mundo imenso por explorar fora daquelas 4 paredes. Jack consegue escapar e a sua fuga também ajuda a que a mãe seja resgatada. 
E a partir deste momento temos a sensação de que entramos num outro filme. Se a primeira parte se centra naquele pequeno espaço e na intimidade e cumplicidade entre mãe e filho, com cenas de alguma tensão num ambiente claustrofóbico, a partir daqui acompanhamos a forma como ambos vão lidar com este novo mundo e esta parte não tem tanta intensidade como a primeira aproximando-se mais do registo lamechas a tentar puxar uma lágrima do espectador. 
Room estava nomeado para 4 Oscars da Academia, acabando por Brie Larson receber a estatueta de Melhor Actriz no papel de Joy, a mãe. Jacob Tremblay, agora com 10 anos, também está excelente como Jack, num filme que conta ainda com interpretações de William H. Macy e Joan Allen como os pais de Joy e Sean Bridgers como o raptor e pai de Jack.

NOTA: 7/10